sexta-feira, 16 de julho de 2021

AS ESTRELAS QUE EU CONTEI - Capítulo7



 Capítulo 7


Quando mamãe e Afonso se casaram, dois anos após aquela festa de aniversário de Sara, eu tinha treze anos, e ela, doze. Afonso teria se casado bem antes, mas minha mãe queria ter certeza de que ele seria não apenas um bom marido para ela, mas principalmente, um bom pai para nós. Fiquei muito feliz por eles, e queria muito que minha mãe e Afonso e todos nós pudéssemos ser uma família feliz, mas no fundo, eu sentia culpa por causa de papai. Era como se estivéssemos expulsando-o das nossas vidas. Mamãe dizia que mesmo que ele estivesse vivo, provavelmente não estariam mais casados, devido a “você-sabe-o-que”, segundo ela. Mamãe nunca mais pronunciou o nome de nossos tios e primos, o que me deixava bastante triste também, pois eu os amava, apesar de tudo que tia Samira fizera. 

Nossa vida tornou-se mais tranquila e eu voltei a escrever alguns meses antes do casamento. Pude finalmente colocar no papel as histórias que mamãe me contava sobre a nossa família – e também algumas histórias que eu mesma vivera e das quais ainda me lembrava, sobre as fadas que via quando criança. Essas eram minhas melhores histórias, e eu costumava lê-las em capítulos durante dez minutos no final das aulas a pedido da professora e dos meus colegas de classe, que não mais riam delas, mas adoravam escutá-las.

Quanto a Sara, já mais madura, eu sabia que ela conhecia a verdade sobre papai e já aceitava as coisas como elas tinham acontecido. O tempo foi o melhor remédio, exatamente como a psicóloga dissera.

Após a nossa festa de casamento, mamãe vendeu a nossa casa. 

Foi muito triste para mim deixá-la! 

Enquanto Sara estava muito excitada com a mudança, e não parava de falar na nova casa onde moraríamos, que era muito grande e ainda mais bonita que a de tia Samira, eu estava arrasada por dentro, embora tentasse não demonstrar. No dia em que o caminhão de mudança carregou nossas roupas e alguns dos nossos objetos mais queridos, pedi a mamãe e Afonso que me deixassem um pouco sozinha na casa. Eu queria me despedir. Dona Meire me convidou para passar aquela noite em sua casa, e Afonso viria me buscar no dia seguinte. Acenei um adeus para eles no portão, e então entrei na nossa velha casa vazia, que não era mais nossa. Os novos proprietários começariam a reformá-la em uma semana. Tinham dito que pretendiam derrubar a árvore do quintal, a nossa querida goiabeira, a fim de construírem uma piscina, e aquela perspectiva me matava de dor. Como alguém poderia derrubar uma árvore tão linda e tão antiga?

Mas não havia absolutamente nada que eu pudesse fazer; a casa agora era de uma outra família, com outros sonhos. Da janela da sala, eu olhava para a nossa árvore, os olhos embaçados de lágrimas, que logo rolaram como cascatas quentes sobre o meu rosto. 

E foi então que eu as vi novamente. Pareciam criaturas transparentes, masculinas e femininas, sentadas sobre os ramos da árvore, e pareciam todas muito tristes. Algumas delas acariciavam as folhas, outras voavam em volta da árvore e outras... olhavam diretamente para mim! Meu coração deu um pulo enorme, me sacudindo, quando uma delas acenou para mim, me chamando.

Corri lá para fora, sentando-me sob a árvore, enquanto elas rodopiavam a minha volta. Eu estava me sentindo profundamente triste, e ao mesmo tempo feliz por revê-las depois de tantos anos. Minhas amiguinhas de infância. Elas não falavam, mas comunicavam-se comigo através dos meus sentimentos e de ideias que surgiam em minha cabeça. Era uma comunicação fluida e perfeita. Não havia a menor possibilidade de que nós nos desentendêssemos ou interpretássemos erradamente as mensagens. Elas me diziam que estavam muito tristes por eu estar indo embora, e que jamais tinham me abandonado. Estiveram sempre ali, durante todos aqueles anos, mas foi necessário que elas desaparecessem para que eu pudesse crescer e amadurecer plenamente. Me pediram que não ficasse triste pela árvore, pois ela não sentiria nenhuma dor, e se transformaria em um outro ser que habitaria um outro jardim bem longe da Terra. Perguntei se elas poderiam ir comigo para a nossa nova casa. Elas se entreolharam, e compreendi que não.

Elas iriam para o mesmo local para onde a árvore iria, pois pertenciam a ela e suas energias estavam muito conectadas e totalmente integradas. Não voltariam à Terra durante muitos e muitos séculos, mas estariam bem, e estariam felizes. 

Compreendi que elas falavam sobre a morte, uma morte que eu crescera acreditando ser algo imensamente triste, uma separação definitiva entre os que iam e os que ficavam. Elas estavam me dizendo indiretamente, que assim que a árvore caísse, elas morreriam junto com ela. Aquele pensamento me fez estremecer e chorar ainda mais, mas uma delas se aproximou dos meus ouvidos, soprando dentro deles. Entendi: “Você deveria saber que ninguém morre, nada morre. Seus avós estão vivos, seu pai está vivo, todos continuam, só que em outro lugar. Você sabe disso.”

Perguntei se sentiriam dor, e elas responderam apenas com um silêncio afirmativo. Sim, elas sentiriam dor enquanto a árvore estivesse sendo cortada, pois eram a alma dela. Todas as árvores cortadas eram poupadas das dores porque elas a sentiam por elas. Era para isso que tinham sido criadas: para cuidar das plantas, árvores, mares e rios, enquanto eles estivessem vivos, deixando de estar presentes quando eles morriam. Era um trabalho difícil, pois cada vez mais árvores e plantas estavam sendo mortas todos os dias no planeta, e rios e mares sendo poluídos. Assim, o trabalho delas tornava-se cada vez mais doloroso, e elas me deixaram saber que no futuro, tudo seria ainda mais difícil.

Vislumbrei florestas inteiras sendo derrubadas, e grandes quantidades de lixo e de plástico sendo jogados nos oceanos e mares, matando milhares de animais. Fechei os olhos: não queria saber de nada daquilo. Mas elas me disseram que eu tinha uma missão quando crescesse: escrever. Eu deveria criar histórias que ensinassem às crianças a importância de amar e respeitar a natureza. Elas estaria comigo, lá de longe, me inspirando, como musas. Tive medo; era uma responsabilidade muito grande! E se eu não conseguisse? Elas me disseram que eu seria uma grande escritora, pois aquela era a minha missão. Tudo o que eu precisava fazer era escrever, e as coisas aconteceriam naturalmente. As portas se abririam e as pessoas certas se aproximariam e se encarregariam de me ajudar a divulgar o meu trabalho. Eu não deveria ter medo de nada. Tudo ia dar certo. 

Fiquei ainda algum tempo com elas, sob a árvore. Mas aos poucos, o céu escureceu e trovões começaram a ribombar. Grossas gotas de chuva começaram a tamborilar no chão de terra batida, espalhando partículas de areia. Elas me deram permissão para entrar. Atravessei o jardim e entrei em casa correndo. Quando cheguei à janela, não as vi mais. 

Porém, ouvi um ruído de passos atrás de mim, e realmente me assustei, chegando a gritar antes de me virar correndo e deparar com tia Samira de pé atrás de mim. Eu me surpreendi tanto com a presença dela ali, que não consegui dizer nada, e fiquei olhando para ela. Parecia bem mais velha que minha mãe, e mais magra. Ainda era muito bonita, mas os cabelos tinham ficado precocemente grisalhos nas têmporas e ela não se importou em tingi-los, como mamãe, sempre muito vaidosa, fazia questão. O coque baixo, na altura da nuca, fazia com que ela parecesse ainda mais velha. Eu estava muito emocionada de vê-la. Ela sorriu levemente, e rugas profundas se formaram nas laterais da sua boca. Tia Samira estendeu os braços timidamente, e eu me abriguei entre eles de olhos fechados, matando as saudades daquele perfume tão familiar e daquelas mãos que tanto me consolaram, banharam e alimentaram quando eu era pequena. Senti que os ossos dos seus quadris estavam bem mais duros e salientes sob a roupa. Passei os dedos de leve sobre suas costas, e senti suas costelas, uma a uma. Finalmente, ela me afastou de si, e me olhou nos olhos:

- Eu soube que sua mãe se casou de novo. Ela está bem? E Sara, e você? Estão todos bem?

-Sim, estamos, tia Samira.

Ela me olhou da cabeça aos pés, segurando minhas mãos:

-Olhe só para você! Está uma moça, e tão linda! E eu perdi vocês crescendo...

Baixei os olhos por não saber o que dizer. Afinal, ela fizera por merecer, por mais que eu a amasse. Mudei de assunto:

-E como estão o tio Helvécio, o Décio e Joana? Sinto tanta saudade deles! 

- Joana está linda, e Décio também. Ambos estão muito bem, mas sempre falam de vocês e sem tem saudades daqueles tempos. Eu... nós decidimos não contar nada do que aconteceu a eles. Helvécio achou que não os faria mais felizes, então inventamos uma história sobre sua mãe e eu termos discutido por outro motivo... Helvécio está bem. Ele... mudou muito, porém. 

Vi que lágrimas começaram a brotar nos olhos dela. 

-Tia, não quero soar cruel, mas o que vocês fizeram... como puderam fazer isso com a gente, com a mamãe?

Ela secou uma lágrima com as costas da mão, e notei que não pintava mais as unhas.

-Eu vim aqui hoje porque Dona Meire me disse que você estaria aqui sozinha. 

Arregalei os olhos:

- Vocês mantiveram contato?

-Sim, esses anos todos eu ligava para ela. No começo, se recusava a dar notícias, mas com o tempo ela me contava alguma coisa. Até que percebeu que eu estava arrependida de verdade. E depois, acho que teve pena de mim, simplesmente. Mas eu fiz ela me prometer que não comentaria com minha irmã nada sobre nossas conversas. Ela teria ficado furiosa. 

Ignorando o último comentário, perguntei:

-Pena? – perguntei. – Por que ela teria pena de você, tia?

Ela molhou os lábios secos com a língua.

- É que eu estou muito doente, Chiara. Não me resta muito tempo. Eu quis muito procurar sua mãe e contar a verdade, mas confesso que não tive coragem... pedia a Dona Meire que a sondasse, se ela aceitaria me ver de novo, e as respostas eram sempre tão negativas... numa das vezes, ela disse a Dona Meire que se me visse de novo, me daria outra surra. Sua mãe simplesmente não quer me ver, e eu não a culpo. 

Concordei com a cabeça. Nós nos sentamos em um velho tapete que mamãe abandonara. Ela encostou na parede e esticou as pernas, e fiquei chocada ao ver a magreza de suas canelas. 

Ela continuou:

-Mas eu quero que ela saiba da verdade.

-Sobre a sua doença?

-Não... isso é fato consumado. 

- Tia, eu não estou entendendo...

- -É que... seu pai, ele... nunca teve nada comigo, eu mandava aquelas fotos para ele... eu estava totalmente cega de paixão. Eu faria qualquer coisa, embora amasse vocês. Mas eu não conseguia esquecê-lo, e Helvécio sabia que eu estava apaixonada por Pedro. Poderia ter me deixado, mas me amava, e queria evitar um escândalo que pudesse prejudicar as crianças e também a união das famílias. E ele achava que nós ... eu e Pedro... nunca aconteceria, por parte de Pedro. E eu juro, Chiara, nunca aconteceu nada entre seu pai e eu.

Ela interrompeu sua fala com um soluço de dor. Tia Samira torcia os dedos, sem me olhar nos olhos. 

-Eu me sinto tão envergonhada por tudo o que tentei fazer! Mas eu estava tão apaixonada, era como se... um fogo queimasse dentro de mim e a fumaça me deixasse totalmente cega! Foram anos e anos de paixão represada que eu juro, fiz de tudo para matar! Mas naquela viagem que fomos todos juntos... lembra? A nossa última viagem? Eu não conseguia suportar estar perto dele e não ser notada! Eu... pedi a uma camareira do hotel que tirasse aquelas fotos, dizendo que queria surpreender meu marido. Mas depois passei a enviá-las ao seu pai, que nunca as mencionou, o que me deixava ainda mais furiosa, até que finalmente, ao falar com ele... ele me ameaçou. Disse que as mostraria ao Helvécio. Mas houve o acidente... e eu não sabia o que ele tinha feito com as fotos, até que a polícia as entregou justamente à sua mãe.

O olhar dela se perdia nas cenas que ela me descrevia. Eu só tinha treze anos, mas podia entender o que ela falava, pois eu mesma estivera apaixonada por um menino da escola que não ligava a mínima para mim, e sabia o que é o desprezo e a paixão recolhida. 

-Mas o que exatamente, você pretendia com tudo aquilo, tia Samira? Achava que papai ia deixar a mamãe para ficar com você? Acha que ele ia nos deixar, destruir a nossa família?

-Eu só queria... eu só queria uma noite com ele, só isso. E depois... eu não sei o que seria, o que poderia ter sido, mas eu ansiava por ele..., mas nunca aconteceu, e então, depois que ele morreu, e depois que sua mãe me expulsou, eu sofri muito e compreendi que de qualquer jeito, jamais teria acontecido por um único motivo: ele era louco por Vanessa. Ele era totalmente apaixonado por ela. Eu cheguei ao cúmulo, uma vez, de procurar uma mãe de santo, acredita? Eu desci ao último degrau para tentar conquistar seu pai. Para ter uma única noite com ele que fosse. Mas depois que ele morreu, não havia mais lugar onde eu pudesse colocar minha paixão por ele. E ela foi aos poucos morrendo, e dando lugar a um sentimento de culpa enorme, muita vergonha... e muita falta de vocês, saudade... eu finalmente caí em mim e percebi o ridículo de tudo aquilo, de toda aquela fantasia que eu criei na minha cabeça. Eu destruí a nossa família por causa de um delírio... e ao mesmo tempo, eu sei que não conseguiria fazer com que tivesse sido diferente.

Então ela me olhou, a cabeça rolando na parede atrás dela e os olhos dela procurando pelos meus:

-Você acha que sua mãe poderia me perdoar?

Fiquei sem saber o que dizer. Eu já a perdoara, mas mamãe tinha um gênio muito forte, e não deixava de ter razão. Mas ela precisava saber que jamais tinha sido traída, e quando soubesse, não sei se ela passaria a odiar a irmã ainda mais, por deixá-la acreditar que sim, durante queles anos todos após a morte de papai. Encolhi os ombros:

-Não sei, tia. De verdade, não sei.

Ela sorriu tristemente, e se ergueu com dificuldades, e eu também me levantei do chão. Ela me olhou mais uma vez, e eu soube que aquela seria a última vez que nos veríamos. Ela também. Eu sabia que ela sentia a mesma coisa. Senti um misto de nostalgia, tristeza, perda antecipada, amor jogado fora. Ela piscou um olho para mim, dizendo:

- Décio e Joana estão lá fora no carro. 

Meu coração deu um salto enquanto eu corria para fora. A chuva tinha passado, mas gotas ainda caíam das árvores. Corri pelo gramado, e quando eles me viram, saíram do carro, correndo na minha direção, e nos abraçamos, e choramos, e nos abraçamos de novo... choramos de novo... juramos que nunca mais nos distanciaríamos. Eles prometeram que nos visitariam na nossa nova casa. Ainda conversamos durante uma hora, enquanto tia Samira foi fazer uma visita ao marido de Dona Meire, que piorara bastante do Alzheimer. Falamos da escola, de velhas lembranças... brincadeiras que fizéramos ali, naquele quintal. Filmes que assistíramos todos juntos em noites de sábado. De vaga-lumes que capturávamos e colocávamos dentro de vidros, e depois soltávamos. Falamos das fadas que eu via (não mencionei que as vira novamente naquela tarde) e das brigas dos nossos pais, que na época, chegavam a ser até engraçadas, às vezes. 

Joana me disse que estava namorando escondido e queria ser médica. Décio era capitão do time de futebol da escola, e ia cursar engenharia quando crescesse. Tio Helvécio trabalhava muito, mas estava bem. Eles tinham se mudado de casa, e agora moravam em um grande apartamento na cidade, pois ficava mais perto das melhores escolas. Sentiam saudades de nós. Sentiam saudades de tudo. Jamais deixaram de pensar em nós, e nunca entenderam, realmente, o motivo da briga entre nossas mães após a morte de meu pai. E eu não contei nada a eles, deixando que continuassem a acreditar no que os pais deles tinham dito, seja lá o que fosse. 

A tarde deu lugar às primeiras estrelas, e finalmente, Tia Samira chegou de sua visita e levou meus primos embora. Mas prometemos que telefonaríamos, e que nas férias, eles iriam nos visitar.

Mas eu temia, enquanto olhava o carro se afastando, que minha mãe não entendesse e não quisesse saber deles. Voltei e tranquei a casa. Ainda fiquei no jardim, olhando as plantinhas e escutando os grilos, respirando o cheiro ativo de grama e terra molhada do jardim que eu nunca mais pisaria e que eu nunca mais sentiria. Atravessei o portão e olhei para trás pela última vez. A claridade do luar de setembro parecia uma aura em volta do nosso telhado.

Quando cheguei à casa de Dona Meire, ela tinha lágrimas nos olhos; seu marido acabara de falecer, assim que Tia Samira deixara a casa. 

Após o funeral, ela iria morar com um sobrinho em outra cidade. Nunca mais a vimos ou ouvimos falar dela. É engraçada a maneira como as pessoas vêm e vão, entram e saem de nossas vidas quando aquilo que tínhamos a aprender juntos termina. Serei sempre grata à Dona Meire, que nos ajudou no momento mais difícil de nossas vidas. Ela seria mais uma estrela no céu da minha vida.

Minha mãe escutou a história que contei sobre tia Samira, e exatamente como eu pensava, ficou furiosa ao saber que ela escondera a verdade aqueles anos todos, deixando que ela pensasse mal do nosso pai. 

Minha mãe chorou muito ao desenterrar aquelas velhas histórias. Afonso foi compreensivo e deixou que ela chorasse tudo o que tinha a chorar, secando cada lágrima que ela derramou nos dias que se seguiram e levando-lhe pessoalmente inúmeras xícaras de chá acompanhadas de pequenos doces para substituir as refeições que ela se recusava a fazer, até que ela finalmente saiu do quarto da nossa nova casa e declarou:

-Quero ver minha irmã.

Estávamos sentados no sofá da sala assistindo a um programa na TV, e todos nos levantamos ao mesmo tempo. Mamãe estava muito decidida.


(continua...)





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