quinta-feira, 5 de agosto de 2021

AS ESTRELAS QUE EU CONTEI - Capítulo 9


 Capítulo 9


Nossa nova casa era enorme e silenciosa. Havia quatro empregados fixos – Elga, a cozinheira, Helena, a faxineira e Geraldo, o mordomo, e Carlos, o motorista. A cada semana uma empresa ia fazer a limpeza pesada e cuidar do jardim. Todos eram frios, eficientes, silenciosos e distantes, e permaneciam imunes a qualquer tipo de aproximação de nossa parte. Eram polidamente corteses, educados, eficientes e sempre prontos a satisfazer nossos menores desejos e a atender as nossas ordens, mas mantinham sempre uma distância enorme e impenetrável entre nós. Dirigiam-se à minha mãe chamando-a de Madame Vanessa, e a nós, crianças, como senhorita Chiara e senhorita Sara, embora já tivéssemos dito mil vezes que não queríamos que nos chamassem daquele jeito. Acabamos desistindo e nos acostumando. Afonso nos explicou que eram ótimas pessoas, e que estavam na família há muitos anos – as mulheres, há mais de vinte, e o mordomo, há pelo menos trinta e cinco anos – e era melhor que mantivessem uma atitude formal em relação aos seus patrões, pois isso assegurava serviços bem prestados. Tinham sido treinados por seus pais, que faziam absoluta questão daquela distância. 

Mas nós tínhamos permissão para chamá-los pelos seus primeiros nomes.

Afonso era realmente um homem muito rico. Além de possuir duas fábricas, um escritório e vários apartamentos alugados, ele sempre falava de uma fazenda que herdara dos pais, e que estava na família há mais de sessenta anos. No entanto, quando Sara perguntou sobre os pais dele, vimos uma sombra atravessar seu rosto antes de ele mudar de assunto, dizendo apenas que tinham morrido quando ele ainda era um adolescente. Ele tinha sido criado pelos avós, também falecidos. Afonso também não gostava de falar sobre sua ex-esposa, com quem vivera por apenas cinco anos, bem antes de conhecer minha mãe. O casal se divorciou e ela foi embora do país, e isso foi tudo o que ele comentou sobre ela. Afonso não tinha irmãos ou parentes próximos. Pensei no quanto sua vida deve ter sido solitária antes de nós, mas Afonso não era alguém triste – pelo contrário. Fazia de tudo para nos alegrar e quase sempre que voltava para casa do trabalho, nos trazia um mimo – um doce, uma pulseirinha, um livro, canetas coloridas. Eu e Sara o adorávamos. Mamãe parecia gostar muito dele, e eles viviam muito bem, mas eu nunca consegui ver nos olhos dela a mesma coisa que eu via quando ela olhava para papai, embora eu não saiba descrever exatamente o que tinha sido; talvez um misto de ansiedade, amor, paixão, desespero, ressentimento, mais amor, mais paixão, mais loucura, raiva e tranquilidade, e paz de espírito – tudo muito misturado, subindo e descendo em ondas o tempo todo. Quando ela olhava para Afonso, havia carinho, tranquilidade, paz, um pouco de amor, sim, amizade..., mas nada de turbilhão de emoções, e eu acho que era exatamente o que ela desejava: paz. Uma vida horizontal. 

Segurança.

Nossa casa tinha um jardim bem diferente do que tínhamos antes: as sebes eram milimetricamente aparadas pelos jardineiros contratados que vinham a cada sete dias para cuidar das plantas e fazer a limpeza. Nenhum fio de grama era maior que outro. Os arbustos eram recortados em formas precisas, alguns imitando animais. As flores eram plantadas separadamente conforme suas espécies, e não misturadas, como na nossa antiga casa. 

As árvores tinham sido plantadas em pontos estratégicos, a distâncias cuidadosas da casa e umas das outras. Havia uma fonte no meio do jardim, de onde a água jorrava de um vaso que estava nas mãos de uma dama antiga toda feita de mármore branco. Tudo era perfeito. Havia nos fundos da casa uma piscina de água muito azul e límpida. Nos quatro cantos, anjos de mármore silenciosos estendiam as mãos sobre quem se banhava nela. Por trás da piscina, um prédio espelhado levava a uma sauna, uma piscina interna de água quente e uma área de lazer, com cadeiras, mesas e um sofá forrado com tecido impermeável. Havia também uma TV em um dos cantos, alguns livros e revistas (as revistas eram trocadas a cada semana, substituídas pelos exemplares mais novos) e alguns tabuleiros de jogos que ninguém nunca jogava.

Meu quarto era ao lado do quarto de Sara, no segundo andar. As cores do meu ficavam entre as tonalidades verdes, conforme eu escolhera, e Sara preferia os tons de rosa e branco. Assim que nos levantávamos e descíamos para o café da manhã, Helena, a arrumadeira silenciosa e invisível, entrava nos quartos e arrumava as camas, aspirava os tapetes e tirava o pó inexistente, e antes de sair, borrifava alguma coisa suavemente perfumada nos banheiros, trocando as toalhas que usáramos no banho. Quando o café terminava e nós subíamos para nos prepararmos para a escola já encontrávamos tudo limpo, cheiroso e arrumado. Nunca aconteceu de encontrarmos com a arrumadeira no corredor. Ela parecia ser realmente invisível. Parecia que estávamos em um hotel, e não em uma casa.

Quando comentamos com mamãe àquele respeito, ela nos disse que Helena acordava bem cedo, por volta das cinco da manhã, a fim de arrumar o restante da casa sem incomodar a ninguém, e que tinham sido treinados para serem os mais invisíveis que pudessem. 

Era muito estranho, para mim, ser tão rica. Sentia saudades da bagunça aconchegante da nossa antiga casa, das folhas secas sobre o gramado, das margaridas, rosas, cravos e demais flores todas crescendo juntas e misturadas nos canteiros, das árvores que cresceram onde tinham escolhido e que estavam lá há anos sem que ninguém as incomodasse. Eu sentia saudades de poder andar descalça dentro de casa, usar pijama o dia todo no final de semana, escutar música alta e ter os gatos dormindo comigo na cama (Afonso mandou preparar um quarto lindo e confortável para eles do lado de fora da casa, na ala dos empregados, e embora fosse cheio de almofadas macias e eles recebessem a melhor comida, eu frequentemente acordava durante a noite escutando seus miados de saudades). 

Tínhamos absolutamente tudo o que precisávamos, e muito, mas muito mais que apenas isso. Nada de economizar para comprar aquele tênis da moda, ou ir para casa da escola a pé, economizando o dinheiro da passagem para comprar sorvete no caminho. Nós íamos para a escola de carro, conduzidas pelo silencioso Carlos. Nossos amigos da escola olhavam e comentavam, o que nos deixava um pouco incomodadas. Notei que algumas de minhas amigas se afastaram de mim e passaram a me evitar na hora do recreio, e eu tinha dificuldades para entrar em um grupo quando a professora passava algum trabalho. Elas me tratavam bem, mas friamente.

Voltando a falar da casa, ela era linda, mas faltava uma coisa importante nela: vida. E os criados formais me irritavam. Eu sentia que de alguma forma, me desaprovavam. Suas pupilas cínicas, sob as sobrancelhas arqueadas, me olhavam da cabeça aos pés, demorando-se nas minhas pantalonas jeans quase sempre com os joelhos encardidos, e certa vez, Helena me perguntou polidamente se eu desejava que ela penteasse meus cabelos. No rosto, um leve toque de ironia disfarçada de servilismo. Não respondi, apenas balancei a cabeça, negando e olhando para ela da mesma forma que ela tinha me olhado.

Certa vez, levei um dos gatos para me fazer companhia na sala de TV. Geraldo entrou logo quando ele afiava as unhas na almofada, e quase teve um surto. Saiu apressado sem falar comigo, e minutos depois, minha mãe entrou, pegando o gato e dizendo que eles não podiam ficar dentro da casa. Fui atrás dela furiosa:

- Foi aquele almofadinha que te contou, não é?

Ela levou os dedos aos lábios, olhos arregalados, pedindo silêncio:

- Chiara, aqui não é a mesma casa de antes, não temos a mesma vida. Precisamos nos adaptar!

Desabafei:

- Eu estou tão cansada, mamãe! Não gosto dessa casa, não gosto dessas pessoas que trabalham aqui! 

- Mas eles são ótimos funcionários, e estão há anos na família! Afonso os considera muito, e ficaria muito chateado se ouvisse você falar assim deles, e de tudo o mais.

- Eu adoro o Afonso, mas mãe... não me sinto em casa!

Joguei-me em uma cadeira almofadada em dourado:

- Isso aqui... não tem nada a ver comigo! A Sara também não gostou (menti).

-Hum... ela parece muito bem adaptada.

- Mas eu não estou. Nem sequer posso trazer meus colegas da escola aqui! E eles estão se afastando cada vez mais de mim.

- Ninguém nunca disse que não poderia, Chiara! Se quer trazer seus amigos, tenho certeza de que Afonso não vai se importar. Será uma boa ideia, pois assim vocês poderão se aproximar novamente. Vamos fazer o seguinte: organizaremos uma festinha no final de semana!

Ao ouvir aquilo, me senti melhor. Comecei a preparar convites para o final de semana, após a total aprovação de Afonso, é claro, e ele me ajudou a escolher a comida para que tudo ficasse perfeito. Ele era muito atencioso. Ficamos elaborando o menu até tarde da noite de quinta-feira. Na sexta, distribuí os convites entre meus colegas de escola, e quase todos apareceram no sábado de manhã.

Foi um dia muito bom, até que inadvertidamente, no final da tarde acabei escutando uma conversa entre algumas meninas. Eu estava indo ao banheiro da piscina, quando as ouvi conversando dentro da sala da piscina coberta. Me escondi atrás de um biombo; eu queria apenas saber o que estavam achando da festa. Fernanda, minha melhor amiga, estava entre elas e escutava passivamente, enquanto uma das meninas dizia:

- A Chiara mudou, agora que a mãe se casou com um milionário. Só anda com aquelas roupas de menina rica e de carro com motorista. Nunca mais foi lá em casa.

Magoada, tive que admitir que era verdade: eu não visitava mais meus amigos, pois a minha nova casa ficava mais longe das casas deles. Ela continuou:

- Eu gostava tanto dela..., mas não sei se ainda gosto.

Uma das meninas respondeu:

-Acho que elas estão muito “metidas.” Olha só essa casa! Gente do céu... que ostentação! Minha mãe vive dizendo que a gente deve andar com quem é igual a gente.

Uma outra arrematou:

-Gente rica é diferente. Eu não queria morar em um museu desses. Os móveis são todos antigos, vocês viram? O chão brilha feito um espelho, dá até medo de andar sobre ele. E aqueles empregados de nariz em pé, circulando pela casa, olhando a gente como se fôssemos... ratos! Deus me livre.

Naquele instante, notei que meu estômago começou a revirar-se, e saí correndo, indo vomitar atrás de uma das moitas perfeitas do jardim. Cruzei a piscina e senti os olhares presos em mim, mas passei direto, descabelada, a camisa suja de vômito. Corri para o meu quarto e fechei a porta. Ao me olhar no espelho do meu banheiro privativo, vi que meu rosto estava vermelho. Minha respiração estava ofegante. Abri a torneira, enchendo a mão de água gelada, e lavei o rosto. O que mais me feriu, foi ver minha melhor amiga no meio daquela conversa sem nada dizer.

Alguns minutos depois, bateram à porta. Fingi não escutar, mas a pessoa do lado de fora insistiu, e então eu berrei:

-Vá embora, me deixe em paz!

Ao invés de passos se afastando, ouvi a maçaneta girar, e minha amiga Fernanda entrou, olhando em volta.

-Me disseram que você estava aqui.

Eu não respondi. Estava de bruços, atravessa da na cama, e estremeci ao ouvir a voz dela. Ela se sentou devagar na beirada da cama, ao meu lado.

-Me desculpe... vi quando você correu. Não era para você ter escutado.

-Mas eu escutei, e o que isso muda? É isso que pensam de mim, agora... vocês estão  roxas de inveja. Me admiro ter visto você lá, no meio daquela fofoca toda.

Ela não respondeu imediatamente. Respirou fundo antes de dizer:

-É, pode ser... talvez eu esteja morrendo de inveja de ter uma sargenta igual aquela cozinheira atrás de mim. Ou aquele mordomo Frankenstein de pé atrás de mim enquanto eu estou almoçando e jantando. Juro que eu adoro ter pesadelos à noite. Ou então estou com inveja de levar um escorregão naquele assoalho encerado e quebrar o pescoço.

Não pude deixar de dar uma risada leve, mas ela não percebeu. 

-Chiara, eu sinto falta da gente, de como a gente era... de ir à sua casa depois da escola, me sentar naquela mesa de madeira enorme e almoçar com você, só nós duas, enquanto sua mãe está no trabalho e Sara está brincando no quarto. Eu sinto falta de quando a gente se sentava em frente à TV para assistir à Sessão da Tarde juntas. Sinto falta das festinhas na sexta à noite. O que aconteceu com a nossa amizade? Você nunca mais me visitou!

Eu me virei para encará-la:

-Talvez porque você passou a me ignorar na escola! Você e todo mundo.

Ela concordou com a cabeça:

-Ok, você tem razão. É que a gente ficou assustado... de repente, nossa amiga virou milionária, tão diferente da gente. Me desculpe. E... você está certa, dá uma certa invejinha sim...

Nós rimos, e nos abraçamos. Voltei com ela para a festa, totalmente à vontade agora, e ela me ajudou a reentrar nos grupos. Depois daquilo, minha vida na escola e na casa ficou mais fácil. Passei a aceitar que minha vida tinha mudado, mas que eu podia continuar sendo eu mesma. E Afonso jamais me condenava por isso, aceitando meus jeans surrados, minhas músicas barulhentas, meus suéteres remendados quando eu estava em casa, meus chinelos de pano e até mesmo um gato ou outro dentro de casa. Acho que ele deu algumas ordens aos empregados também, pois eles passaram a ser mais tolerantes conosco, crianças, e pararam de nos perseguir e querer pentear nossos cabelos. Na verdade, depois que me acostumei com eles, percebi que não eram ruins – estavam apenas preocupados com o nosso bem-estar. Fernanda me ajudou a perceber isso, pois ela passou a ser frequentadora assídua da casa, e eu voltei a dormir na casa dela alguns finais de semana.

Tudo ia bem. Mas quando tudo vai bem, é porque geralmente há um período de preparação para algo muito ruim. Eu sabia disso, e estava muito apreensiva. Foi quando tive um novo sonho com minha avó, anos depois do último.

Ela me olhava com os olhos muito tristes, e me dizia que em breve perderíamos tia Samira. Eu já sabia daquilo, mas ouvir assim, tão diretamente, me assustou. E logo depois, o telefone tocou tarde da noite em uma sexta-feira. Estávamos todos na sala, assistindo a um filme. Geraldo atendeu, e depois falou alguma coisa baixinho no ouvido de Afonso, que segurando a mão de nossa mãe, levou-a até o aparelho. Eu e Sara nos entreolhamos, já sabendo do que estava acontecendo. Minha irmã segurou minha mão e começou a chorar baixinho.

No funeral de Tia Sara, pudemos rever nossos primos. Eles estavam ambos pálidos e calados, abraçados um ao outro e sendo consolados pelo pai. Nós os abraçamos, desejando os pêsames, e fomos ver tia Samira pela última vez, na companhia de Afonso. 

Minha mãe pousou os olhos sobre o rosto branco, e disse baixinho, colocando uma mão sobre as mãos de nossa tia:

-Eu te perdoo, irmã. Por tudo.

Ver tia Samira morta foi muito chocante para Sara, que nunca tinha comparecido a um velório antes. Acho que a morte de papai também voltou com força total para ela naquele momento, pois voltou para mim. Nós pensamos que estamos preparados para certas coisas, mas nunca estamos. 

Abraçamos nossos primos novamente. Ficamos os quatro juntos lá fora, aguardando o momento de fecharem o caixão. Eles não queriam estar presentes quando acontecesse. Havia um bonito jardim na casa funerária, e ao olhar para cima, vi uma pequena fadinha sentada em um galho de árvore, e fiquei surpresa, pois pensei que nunca mais as avistaria depois que nos mudáramos. A fada parecia triste. Nos olhava curiosa, as sobrancelhinhas caídas, abraçando os joelhos. Sorri para ela discretamente, ela me sorriu de volta, desaparecendo.

Eu não sabia o que dizer para Joana e Décio, então não disse nada, apenas os escutei quando eles falaram sobre a mãe, trazendo de volta velhas lembranças. Em certo momento, Joana disse:

-Depois que nossa mãe e a de vocês brigaram, nossa mãe ficou extremamente triste, deprimida mesmo. Passou vários dias quase sem comer ou dormir, e papai precisou interná-la em uma clínica durante algum tempo.

-Nós nunca ficamos sabendo disso, Joana! Sinto muito – eu disse. Ela concordou com a cabeça.

-Nós sabemos. Ela pediu que não dissesse nada a vocês. Mas ela nunca mais foi a mesma, parece que... – ela parecia procurar as palavras, mas Décio completou a frase:

-Parecia que a alma dela tinha ido embora. Estava sempre apática, indiferente. Nunca mais tivemos nossa mãe de volta. A não ser no final. 

Lamentei muito pelos meus primos, por todos nós. Quantas coisas deixáramos de partilhar devido a um erro que tia Samira cometera! Talvez, se ela não tivesse feito o que fez, não teria adoecido. Enquanto eu pensava naquilo, Sara colocou minhas exatas palavras na conversa:

-Uma pena que tudo aconteceu desse jeito, não é? Se ela não tivesse feito o que fez, talvez nem tivesse adoecido e morrido.

Meus olhos se arregalaram:

-Sara, pelo amor de Deus... (e me virando para meus primos): não liguem, ela não sabe o que está dizendo.

Décio nos acalmou:

-Deixa, prima... ela tem razão. Nossa mãe errou muito. Ela nos contou toda a verdade quando começou a adoecer. Sabemos de tudo. Sabemos que ela foi apaixonada pelo tio Pedro. Ela nos contou tudo.

Balancei a cabeça:

-Nem sei o que dizer... eu só sinto muito.

Joana começou a chorar, e eu a abracei. Ficamos ali, naquele lindo jardim, sentados naquele banquinho de madeira até a hora do funeral, quando nos levantamos e seguimos o cortejo a pé. Afonso foi sempre muito presente e compreensivo. Acho que se não fosse pelo total apoio dele, as coisas teriam sido muito mais difíceis para a nossa mãe. Achei que tivéramos muita sorte em encontrá-lo.

Quando tudo acabou, ele chegou junto aos meus primos e tio, e cumprimentou-os mais uma vez, dizendo:

-Sinto tê-los conhecido nessas circunstâncias. Vocês são sempre bem-vindos à nossa casa, a qualquer momento.  Gostaríamos muito que voltassem a participar da família, na qual eu agora me incluo. Seria um grande prazer recebê-los. 

Meus primos agradeceram polidamente, e tio Helvécio apertou a mão de Afonso. Antes de ir embora, ele disse, se dirigindo a todos nós – principalmente à mamãe:

-Nós estamos de mudança. As crianças estão morando com minha irmã, e eu aluguei uma casa para nós lá. Acho melhor, até que as crianças se formem. Ficar naquela casa seria muito difícil para todos nós.

Sara concluiu:

-Então... pode ser que fiquemos novamente muito tempo sem nos encontrarmos, não é?

Tio Helvécio concordou com a cabeça.

-Mas vocês todos serão também sempre bem-vindos por lá. Eu telefono para mandar o endereço. 

Porém, apesar de tantas promessas, passaram-se muitos anos antes que nós pudéssemos nos reencontrar.


(Continua...)






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