domingo, 22 de dezembro de 2013

NATAL NO SÓTÃO




Ela andava pela casa, escutando passos no sótão. Já era quase dezembro, e a velha árvore de natal, com todos os seus enfeites, continuava no sótão, esperando ser montada na sala de estar, como em todos os anos. Mas não havia o espírito natalino para tal coisa...

Ela sentou-se no sofá, ligando a TV: propagandas de natal. Pessoas sorridentes, unidas em volta de árvores, ou em salas aconchegantes semi-iluminadas pelas pequenas luzes do natal... pessoas fazendo compras nos shoppings... papais-noéis, duendes... irritada, desligou a TV e foi até a janela.

As luzes de natal brilhavam e piscavam na casa do vizinho; fechou as cortinas.

Naquele ano, não haveria natal, e pronto. As coisas ficariam lá no sótão, enfiadas em sacos plásticos. Não queria montar a árvore e dar de cara com as lembranças de outros natais que vivera, quando estavam todos presentes! Quem sabe, os passos que ela ouvia lá no sótão não fossem ratos imensos, que dariam conta daquela velharia toda?

Foi dormir cedo, e rolou na cama até quase a madrugada. Acordou quase ao meio-dia, sentindo uma ressaca horrorosa, como se tivesse bebido muito na noite anterior. Ainda de pijamas, foi até a cozinha e preparou uma xícara de café preto. Depois, quando ia subir as escadas de volta ao quarto, percebeu uma estranha luz na sala de estar, que piscava.

Mal pode acreditar no que vira: a árvore de natal estava lá, montada, com todos os enfeites! Sob ela, um envelope vermelho, que ela abriu:

"Você sempre dedicou os enfeites de natal a cada um de nós, ao montar a árvore, durante todos esses anos. Hoje, nós os dedicamos a você."



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