segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

MADRE - Capítulo 1





MADRE - CAPÍTULO 1



Eu me lembro de um tempo, quando eu era criança, em que meus pais andavam nervosos e suas palavras sussurradas deslizavam pelos cantos da casa, sendo abafadas para que não chegassem aos meus ouvidos: “Aisha não deve saber.”  

Eu tinha cinco anos. Vó Beatriz vinha ficar comigo, e tentava distrair-me do que quer que fosse que pudesse estar acontecendo, e que eu não entendia. Nós duas íamos lá para fora brincar entre as árvores e plantas do jardim e lá ficávamos durante muito tempo, até que ela se cansava, e  sentando-se sob o frondoso choupo e abrindo algum livro, pedia-me que continuasse a brincar sozinha um pouco. Mesmo assim, vó Beatriz ainda participava da brincadeira, erguendo os olhos das páginas quando eu a chamava, e dizendo “Ah, sim, querida, que lindo!” Sempre que eu lhe mostrava alguma coisa.

Era sempre assim: meu pai me levava à escola na parte da manhã e minha avó vinha tomar conta de mim na parte da tarde. E é claro, nós tínhamos Tina, a nossa ‘secretária do lar,’ como mamãe costumava chamá-la. Estava conosco há muito tempo, e eu não me lembro da minha infância sem ela. Tina era uma mulher de meia-idade eficiente e alegre, mas também discreta e silenciosa quando necessário. Tina não tinha familiares morando próximos a nós, e éramos, para ela, a sua família. E era ela quem cuidava de mamãe naqueles tempos sombrios. Lembro-me dela dizendo: “Coma pelo menos um pouco, Dona Fernanda. Vai precisar de forças.”

Minha avó e minha mãe não eram exatamente grandes amigas; tinham a tradicional relação de sogra e nora, suportando-se e respeitando-se o máximo que conseguiam – até mesmo uma criança como eu podia perceber que as duas não eram e jamais seriam grandes amigas. Mas havia um  segredo que ambas partilhavam, e que escondiam de mim, embora as duas discordassem sobre como mamãe deveria proceder a respeito daquilo. Minha mãe quase gritava: “Beatriz, quantas vezes eu preciso dizer que não se meta nas nossas vidas?” Minha avó respondia: “Ninguém é feliz carregando pela vida algo assim, Fernanda. Você e Jairo precisam encarar a verdade dos fatos!” E então a discussão começava, até que meu pai interferisse e as fizesse lembrar de que eu poderia estar escutando: “Vocês querem por favor baixar o tom de voz? Aisha está ouvindo, e ela entende muito mais do que ambas podem supor.”

Morávamos em uma grande casa antiga que tinha sido reformada pelos meus pais, que eram arquitetos, e eles mantiveram as características da construção original acrescentando um pouco de modernidade, como uma jacuzzi, sauna e uma cozinha ampla e moderna. Os amigos dos meus pais vinham sempre nos visitar nos finais de semana, ocasiões em que a casa ficava cheia e festiva. Costumavam trazer seus filhos, que eram meus coleguinhas de escola também, e brincávamos juntos no enorme sótão que meus pais transformaram em um quarto de brinquedos. Lembro-me daqueles tempos vivendo na casa como sendo muito prósperos e felizes, apesar das habituais discussões entre minha mãe e minha avó.

Meus pais tinham muitos amigos, e eu gostava de brincar com as crianças de seus amigos. Nos finais de semana, quando não viajávamos para algum lugar, havia sempre convidados para o almoço ou a happy hour de sábado. Aos domingos, costumávamos sair – apenas meus pais e eu.
Não conheci os pais de minha mãe, pois eles morreram antes de eu nascer, e tenho poucas memórias sobre meu avô paterno, que morreu quando eu ainda era bem pequena.

Mas um dia, as coisas começaram a se transformar sem que eu tivesse controle sobre o que estava acontecendo, o que me deixou bastante insegura. Lembro-me da nossa mudança apressada de Campos do Jordão para Belém do Pará, do outro lado do país: meus pais me tiraram do colégio de repente, sem qualquer explicação, ignorando minhas lágrimas de protesto, pois eu adorava as tias e meus coleguinhas de classe. Tive que deixar minha avó para trás, e depois daquilo, eu passei a vê-la bem pouco, o que aumentou ainda mais a tensão entre ela e minha mãe. Nós nunca a visitávamos. Era sempre ela quem vinha passar alguns dias conosco duas vezes ao ano, nos períodos de natal e nos meus aniversários.

 Felizmente para mim,Tina foi embora conosco. Tivemos que alugar um apartamento, e ela precisou abrir mão do conforto que desfrutava em nossa casa, passando a dividir o quarto comigo. Meu pai dizia que seria por pouco tempo, só até conseguirmos vender a casa, o que, acreditava ele, não demoraria muito. 

Porém, os tempos prósperos e felizes estavam terminando, e eu não desconfiava do que estava por vir.

Eu não gostava do nosso novo apartamento. Era pequeno e escuro e não tinha o quintal enorme ao qual eu estava acostumada, mas meu pai me disse que assim que conseguisse vender a nossa antiga casa, resolveria o problema. Eu sentia falta de meus coleguinhas. Sentia falta de minha avó e da nossa linda casa. Detestava o clima quente da cidade e não gostava da nova escola. Foi uma época triste para mim, mas a melhor coisa é que mamãe começou a recuperar-se aos poucos do seu  estado nervoso e retomou sua vida normal. Até que precisamos nos mudar de novo, após menos de um ano.

Desta vez fomos para uma cidade do interior de São Paulo que não tinha quase nada. Meus pais alugaram uma casa velha e feia, escondida e afastada do centro. Eu não entendia porque tínhamos que viver ali! Após dois anos, já estava quase me acostumando à nova escola, e de repente, uma outra mudança!

 Minha avó não nos visitou nenhuma vez enquanto moramos naquela casa. Quando eu reclamava, meus pais me prometiam que logo tudo estaria resolvido, e que toda aquela situação era temporária e eu conviveria com ela novamente. Certa vez, escutei uma conversa entre minha mãe e Tina, onde minha mãe dizia que era melhor que não chamássemos muita atenção e permanecêssemos incógnitos por enquanto. 

Após quase dois anos  vivendo na nova casa feia, nos mudamos para outra cidade – desta vez, uma cidade grande: Curitiba – passando a morar em outro apartamento. A cada mudança, deixávamos tudo para trás: nossos móveis, a escola, a maioria das nossas roupas. Ficamos lá por mais tempo: aproximadamente, cinco anos. Fiz novos amigos e estava começando a me acostumar com nossa nova vida. Adorava Curitiba, uma cidade agradável, bonita e próspera. Meu pai conseguiu um emprego como free lancer em uma firma de arquitetura e estávamos indo bem.

Finalmente, após quase seis anos morando no apartamento, um dia meu pai chegou em casa radiante: vendera a nossa antiga casa! Naquela noite, fomos todos jantar fora juntos – inclusive Tina – e eu pude escolher qualquer coisa que eu quisesse comer, até mesmo uma banana-split, apesar de ser inverno. Era o mês de junho e meu aniversário estava próximo; vovó chegou para ficar conosco, e como sempre, dividiu o quarto comigo, e então, naquelas ocasiões, Tina dormia no sofá da sala. 

Eu gostava da presença da minha avó. Conversávamos até mais tarde, assistíamos TV juntas nas noites de sexta-feira e ela me mimava de todas as formas possíveis, o que deixava minha mãe furiosa. Às vezes, elas acabavam discutindo, e vovó ia embora de repente, e então meus pais começavam a discutir por causa dela.

Éramos uma família boa, embora não tão equilibrada, mas éramos felizes à nossa maneira. Eu me sentia amada e protegida. Tinha orgulho dos meus pais, da minha avó e também de Tina. Crescera em um ambiente acolhedor, em um estilo de vida considerado muito bom, se comparado à maioria das pessoas. A única coisa que me incomodava, é que eu estava totalmente proibida de ter redes sociais com meu verdadeiro perfil, e meus pais diziam que era para minha própria segurança. Não podia, de jeito nenhum, postar fotos na internet ou usar meu nome verdadeiro. E esta era uma regra de ouro, que se eu tentasse burlar, ficava semanas sem poder usar o celular, pois meus pais tinham um aplicativo que vigiava todos os meus passos online.

Eu estava radiante, pois finalmente, teríamos uma casa com quintal e meu próprio quarto outra vez, e meus pais tinham me prometido que seria em Curitiba. Eu contava então quinze anos de idade, e tinha feito muitos amigos na escola onde estudava desde que nos mudáramos para Curitiba. Tinha até um crush com quem trocava olhares, e as minhas amigas diziam que com certeza ele se declararia no dia da minha festa de quinze anos, que meus pais vinham planejando há meses: eles tinham alugado um belo espaço, encomendado as comidas e bebidas, o DJ e a banda, enfim: tudo estava pronto para as comemorações do meu aniversário! 

Logo os convites começaram a serem distribuídos. Só faltava eu me decidir por um vestido – mas todos pareciam ou pomposos demais, ou simples demais. Até que finalmente eu achei o meu vestido ideal, todo verde folha, saia rodada feita por várias camadas de tule e corpete justo bordado em paetês. Quando me olhei no espelho com ele, senti que eu tinha realmente crescido e me tornado uma bela moça. Minha mãe e minha avó choraram discretamente, mas fingi não notar para não aumentar o drama.

Na escola, meus amigos não falavam em outra coisa a não ser da minha festa de quinze anos e o encerramento do ano letivo, que coincidiam ambos no final do mês de novembro.

Porém, quando faltavam apenas alguns dias para  a festa, tive uma notícia horrível.

(continua...)





5 comentários:

  1. Um bom texto! Parabéns!:)

    Beijos. Boa noite! :)

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  2. Very intriguing story...I am already looking forward to the next installment!! :))

    Hugs xxx

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  3. Bom dia Ana,
    Que história incrível.
    Emocionante.
    Li de um fôlego e sendo verídica ou não adorei.
    Muitíssimo bem escrita.
    Parabéns!
    Um beijinho,
    Ailime

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  4. Olá Ana, Gostei da trajetória desse primeiro capítulo, uma linda história de família, bem envolvente, me prendeu do inicio ao fim.
    Mais tarde volto pra ler o segundo e terceiro. Vc e seu talento maravilhoso .

    Boa tarde.

    Abração@!

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  5. Olá amigos, este é o meu testemunho. somos casados ​​há 5 anos e juntos há 9 anos. ficamos separados por 4 meses. Ele quer sair e não está disposto a salvar nosso casamento. Temos sido um ótimo casal (pelo menos eu acreditava nisso) e discutimos raramente. Meses antes de sair de casa, ele estava tão inativo e dormindo muito. Percebi que ele estava tendo um caso emocional com alguém e ele confirmou que estava atraído por ela. Então ele disse que não está mais apaixonado por mim e não pode morar comigo. Eu implorei, chorei e assim por meses. Eu precisava tanto de ajuda e eu quero meu marido de volta para mim. Eu estava navegando na Internet quando vi um testemunho de uma senhora sobre como a Dra. Ajayi, a grande lançadora de feitiços que ajudou a curar miomas, e ela foi capaz de ter um filho que transformar a paz restaurada em casa. ela abandona o contato dele e eu o copio; no começo eu era cético em relação ao contato, mas eu realmente preciso de uma solução duradoura para o meu problema, então eu lhe envio uma mensagem explicando minha situação para ele. Ele me disse para ter certeza de que meu marido virá de volta para mim, se eu deveria fazer o que ele havia instruído, fiz tudo o que ele me mandou fazer e, no quarto dia, recebi um texto de desculpas dele dizendo que ele não sabia o que havia acontecido, naquela noite ele voltou para casa e implorou por todas as suas ações erradas e, desde então, nosso amor e casamento foram mais fortes. Quero agradecer especialmente ao grande ajudante de magia Dr Ajayi por seu bom trabalho e por fazer feliz novamente na vida. Se você está enfrentando o mesmo problema conjugal ou se tiver outros problemas pressionando você, entre em contato com o Dr. Ajayi hoje pelo e-mail: Drajayi1990@gmail.com ou pelo número do WhatsApp: 2347084887094. Ele é capaz de realizar qualquer tipo de feitiço que você possa imaginar. um testemunho vivo.

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