terça-feira, 16 de julho de 2013

A Chave Sob o Vaso - Minimalista




Um pouco apreensiva, ou melhor, o coração aos pulos, quase saindo pela garganta, eu caminhava pela rua reta. As casas ainda dormiam. Era manhã de domingo. Enquanto eu me dirigia ao meu destino, olhava tudo à minha volta e percebia que nada mudara. Os anos que passei longe pareciam não ter passado por ali.
Um sol fraco tingia de vermelho o horizonte, que queria amanhecer. Coloquei no chão minha valise, e fiquei contemplando aquela cena, mas na verdade, estava apenas tentando ganhar coragem.
Quando eu fui embora, saí pisando duro e batendo a porta. Não me importei com as súplicas de quem me pedia para ficar: "O mundo lá fora pode te despedaçar... aqui, estarás segura! Fique, pois esta é a tua casa."
Mas o horizonte gritava aventuras. 
Saí, e não olhei para trás. Mas pude vislumbrar, em meu pensamento, a figura de pé à porta, olhos presos às minhas costas até que eu desapareci na curva do caminho.
E agora, anos mais tarde, aqui estou novamente. 
Respiro fundo, e pego minha valise. Caminho mais um pouco. Pássaros cantam, e algumas janelas já começam a se abrir.
Paro em frente a casa que deixei há tanto tempo. Sobre o peitoril da janela, os três vasinhos de violeta carregados de flores. Sempre deixávamos a chave sob um dos vasinhos, caso um de nós chegasse mais cedo ou mais tarde. Poderíamos ter feito uma cópia da chave, mas isso teria tirado a emoção de procurar por ela. Era um jogo que gostávamos de jogar.
Levanto o primeiro vaso. 
Levanto o segundo vaso.
Levanto o terceiro vaso...


6 comentários:

  1. Fiquei curioso para saber o que ocorrerá depois...será que ela achou a chave?Fico impressionado com teu talento para a escrita literária, tu és aquilo que costumo chamar de prosista de mão cheia. A tua prosa é bem escrita e muito gostosa de se ler. E é gostosa de se ler porque dás a tua escrita um ritmo fluente em dentro de sua narrativa que torna a leitura fácil e deliciosa de ser feita. Parabéns, gosto muito de tua literatura e consequentemente de ti como escritora. Envaideço-me por receber tua visita em meu blog-literário e por teus elogios ao que eu escrevo, uma vez que por ser a escriba talentosa que és, fazes com que a tua critica tenha um grande peso em termos de importância. E pelo menos para mim, a tua opinião é muito importante, podes ter essa certeza. Este é com certeza o teu blog que mais gosto, e fica claro porque não é?Ele é aquele que é realmente "literário".

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  2. Oi ! Td bem?!

    Estou com um blog novo e se puder passa lá. ;)
    Aproveita e dá uma força, e segue o meu blog ou comente, pod ser?!

    Beijoos
    Bell

    http://contosdoguerreiro.blogspot.com.br/

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  3. Olá amiga Ana
    Um conto muito legal de se ler e ainda com um suspense gostoso, despertando em mim ( um cara nada curioso ) rsrs
    saber qual foi o destino da chave

    Abraços.
    Trocyn Bão - Thiago

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  4. Os hábitos antigos acompanham as lembranças, na distância e no retorno. Um antigo jogo não é esquecido. E a chave, certamente, estava lá. Bjs.

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  5. NOSSAAAAAA, E AII?
    CADE A CONTINUAÇÃOOO??
    CURIOSA A MIL.
    BJS PATTY.

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