segunda-feira, 19 de junho de 2017

A MÃO & O LAÇO – CAPÍTULO XI







Oito anos depois, minha vida estava diferente. Nossas vidas estavam diferentes. Eu estava com vinte e quatro anos, e estava casada com Noel. Minha melhor amiga era Elisa, irmã de Noel, e nós duas nos tornamos inseparáveis. Ela mudou-se para nossa cidade e abrimos juntas nosso escritório de arquitetura e decoração de ambientes. Noel tinha seu próprio escritório de advocacia. Às vezes, nas noites de sexta-feira, tocava em um bar com seus amigos da antiga banda; assim, podia exercitar sua música, que ele nunca conseguiu abandonar de vez. 

Adílio e Laura estavam casados, tinham uma filhinha de dois anos chamada Patrícia e viviam em outra cidade. Às vezes nós nos telefonávamos, e também nos visitávamos quando dava tempo. Mas estas ocasiões estavam se tornando cada vez mais raras, desde a mudança e o nascimento de Beatriz, a filhinha deles. Com o trabalho, a distância e os compromissos da vida de casados, mal tínhamos tempo para uma mensagem por telefone.

Doralice saíra da clínica. Shirley jamais devolveu-lhe parte do dinheiro que Pedro lhe entregara após sua chantagem, e quando se viu sozinha e sem dinheiro, Doralice começou a traficar drogas. Foi morta por um traficante alguns meses após deixar a clínica. Mamãe lamentou profundamente, e ela e minha avó deram-lhe um enterro digno no qual apenas as duas compareceram. 

Vovó estava bem idosa, e locomovia-se com a ajuda de uma bengala; mas artrites à parte, tinha saúde de ferro, apesar da idade avançada. 

Mamãe tivera dois namorados naqueles anos, mas quando eles começavam a falar em casamento, ela terminava com eles. Dizia que tivera um único marido, e que amaria apenas um homem pelo resto de sua vida. Ninguém entendia sua atitude, mas ela não admitia discutir sua vida íntima com ninguém.

O paradeiro de Pedro nunca foi descoberto, e a morte de Diana nunca foi esclarecida. Nunca mais tivemos notícias de Shirley – seu padrasto falecera, deixando ela e a mãe muito ricas. A última vez que todos nós nos encontramos, foi no velório de Santoro. Conheci a mãe de Shirley, cuja personalidade parecia-se muito com a da filha. Ela foi polida e tremendamente fria com todos nós, amigos de Shirley, e nunca entendi suas razões. Mãe e filha mudaram-se da cidade e jamais voltaram. Ainda tentei contato com ela, e procurei por seu perfil em redes sociais, mas foi tudo inútil: ela não queria ser encontrada. Eu ainda guardava uma desconfiança de que Shirley tinha algo a ver com a morte da irmã, ou que talvez ela mesma a tivesse matado, mas ao mesmo tempo, eu sabia que ela não faria tal coisa. 

Nunca mais ouvi falar de Susi, ou de Drica. Elas também foram embora da cidade quando a escola terminou. Aquela história toda deixara muitas linhas esfiapadas, voando pelo caminho. Linhas que, tão cedo, não seriam atadas. 

O tempo passa, e nos obriga a esquecer. Esquecemos para sobreviver, e também para não enlouquecermos. A vida continua, e isto não é apenas um cliché sem significados. Continuei com a minha vida, mesmo sentindo falta de meus amigos e sem saber a resposta para uma porção de coisas que ficaram mal explicadas a respeito de Shirley e da morte de Diana. 

Até que o casal de idosos que morava em nosso prédio faleceu. Dona Marta se foi primeiro, e meses depois, seu marido a seguiu. Os filhos colocaram o imóvel à venda, e Noel mostrou-se interessado em compra-lo, pois ainda morávamos no apartamento de mamãe, que se mudara para a casa de vovó para tomar conta dela e fazer-lhe companhia em sua velhice. Mas quando ele fez uma oferta, disseram-lhe que o imóvel já tinha sido vendido. Ficamos nos perguntando: tão rapidamente? Apenas algumas semanas após a morte do casal? João, um dos filhos do casal, explicou que recebera um telefonema alguns dias após a morte do pai. Fizeram-lhe uma boa oferta pelo imóvel. Ele ainda nem tinha decidido vende-lo, mas após pensar melhor, achou que era uma grande oportunidade, e fechou negócio. 

Eu e Noel ficamos decepcionados; adorávamos viver na Rua dos Ipês, e o prédio era ótimo. Mas como sempre, o que está feito não tem mais jeito, e continuamos com nossas vidas. O apartamento vendido começou a entrar em reformas, que duraram alguns meses. 

Um dia, numa manhã de sábado, meses após o começo da reforma, curiosa, ao invés de tomar o elevador, subi pelas escadas e resolvi tentar dar uma olhadinha no que estava sendo feito. Eu não sabia quem eram os novos proprietários, que nunca apareciam.  A porta estava entreaberta, e tudo estava silencioso. Devagarinho, bati na madeira da porta, e perguntei se havia alguém em casa. Como não houve resposta, empurrei a porta e olhei para dentro. A reforma estava pronta, e o apartamento havia sido mobiliado. A visão da sala de estar parecia fazer parte de um cenário da Casa Cláudia, de tão bela e moderna que era a decoração! Fiquei alguns segundos ali, boquiaberta, olhando tudo e me lembrando de como o apartamento costumava ser antes da reforma: escuro, com móveis envelhecidos que não combinavam entre si, cortinas desbotadas e cheiro de mofo. Agora, estava diante de uma sala ampla, arejada e clara. A parede da sala de estar havia sido derrubada, ampliando o ambiente, e as paredes pintadas de branco gelo contrastavam com o enorme sofá e as poltronas de veludo vermelho escuro, e com o tapete persa azul cobalto com desenhos em cores que combinavam com o sofá e as cortinas brancas de seda. Havia um grande espelho italiano atrás do sofá. A moldura era dourada e trabalhada à mão. A parede em frente ao espelho era pintada de preto-fosco, e eu jamais pensei que uma parede preta pudesse conferir tanta sofisticação a um ambiente. Até hoje, é difícil descrever a beleza que eu vi ao deparar com aquela sala excêntrica e luxuosa, mas de bom gosto. Eu ainda estava de queixo caído, pensando em copiar alguns detalhes para usar no apartamento de um de meus clientes, quando um leve movimento atrás de mim me fez ter um estremecimento. Me virei para olhar, sentindo a nuca arrepiada pelo susto, e deparei com uma mulher loura e alta, de longos cabelos ondulados. Ela vestia um macacão frente única vermelho decotado, saltos muito altos e usava brincos exagerados de pedrarias que pareciam valer uma fortuna. Seus olhos azuis eram brilhantes e frios, e não acompanhavam o sorriso que ela me dirigiu. 

O nariz estava diferente, mais afilado, e ela havia perdido alguns quilos que davam a ela a exata aparência de um manequim de passarela. Estonteantemente bonita, Shirley me olhava. 

Percorri com os olhos rapidamente suas longas e pontudas unhas vermelhas, os muitos anéis e pulseiras, a maquiagem esmerada e a pele de pêssego do rosto. O tom bronzeado, agora mais leve, dava a impressão de ter sido conseguido em uma clínica de bronzeamento artificial. Senti minha boca se entreabrir diante da surpresa, e fiquei sem palavras. Sentindo-me uma tola, balbuciei:

-Shirley! Que... que surpresa! O que a traz aqui?

Não houve abraços ou sorrisos de reconhecimento. Não houve demonstrações de saudades ou de alegria ao nos revermos. Ela ficou séria antes de responder:

-Comprei este apartamento. Seremos vizinhas, suponho.

-Que... bom! Nossa, você sempre descuidada, hein? Deixou a porta entreaberta e saiu...

-|Fui comprar cigarros. Nem reparei que tinha deixado a porta aberta.

Ela estudou minha reação durante algum tempo, e eu me senti de repente muito fraca. As coisas começaram a escurecer no meu campo de visão, e tive que me apoiar na parede para não cair. Ela percebeu, e perguntou, demonstrando uma preocupação que me pareceu dissimulada:

-Você está bem, Jordana?

-Sim... acho que é o calor.

-Vamos entrar. Eu te sirvo um copo d’água. 

Dizendo aquilo, ela me pegou pelo braço com cuidado, e eu me vi sentada naquele luxuoso sofá vermelho, me sentindo pequena e inadequada para aquele ambiente, já que eu usava um vestido caseiro e um par de sandálias havaianas. Ainda tonta, percebi o que me deixara tão fascinada por aquele ambiente: ele era uma cópia quase exata da sala de minha avó quando Shirley me conhecera! 

Havia algumas diferenças, como a parede negra em frente ao sofá, mas o modelo do sofá era o mesmo, com a diferença de que o sofá de minha avó era marrom claro; o tapete tinha os mesmos desenhos. Poderia dizer que era o mesmo que minha avó vendera há alguns anos, quando fez modificações na sala. Ela me viu olhando para o tapete, e disse, enquanto voltava da cozinha segurando um copo d’água de cristal:

-Reconhece o tapete? Era de sua avó. Comprei-o em um antiquário quando me disseram que pertencera a ela. Em resgate dos bons tempos. Ela redecorou, suponho?

Retomei o folego antes de responder, tentando soar natural:

-Sim. Há algum tempo. na verdade, foi minha primeira cliente. Sou decoradora agora. E como está você, o que tem feito?

Ela sorriu:

-Casei, separei... sem filhos. Meu casamento foi um erro que durou apenas um ano e pouco. Estou me divorciando agora. O processo está no final. Eu consegui concluir meus estudos. Formei-me em medicina, mas não exerço a profissão. Nem cheguei a fazer residência. Apenas tentei satisfazer mamãe.

-Medicina, você? Eu não poderia imaginar. Você sempre dizia que não podia ver sangue...

-As pessoas mudam. Você mudou. Está mais... não sei... está diferente, muito diferente.

-Você também. Mais bonita, mais séria.

-Séria? Só na aparência. (ela deu uma gargalhada). E como estão Adílio e Laura? Vocês mantém contato?

-Eles se casaram e têm uma filha de dois anos. O nome dela é Patrícia. Mas mal nos falamos agora, sabe... a vida ... a rotina.

Tomei um golinho da água que ela me oferecera, sentindo um leve sabor de maçã verde. Olhei em volta, procurando um motivo para me despedir. Mas ela não me deu a oportunidade:

-Precisamos colocar a conversa em dia, amiga. Você ... está trabalhando?

-Estou. Tenho um escritório de arquitetura e decoração. Minha sócia é minha cunhada, Elisa. 

Ela ergueu as sobrancelhas e pareceu refletir sobre o assunto. Depois, deu um daqueles lindos sorrisos que desarmavam qualquer pessoa:

-Adoraria conhece-la! Afinal, se ela é sua amiga, deverá ser minha amiga também. E como está Noel?

-Está bem, obrigada.

-E filhos? Tiveram algum?

-Estamos deixando para mais tarde. Ainda estamos começando nossas carreiras, e estamos casados há apenas dois anos. Queremos aproveitar um pouquinho mais. E você? sozinha no momento?

Ela ficou séria, e disse:

-Sozinha a maior parte do tempo, como sempre. Mas rica e feliz. Santoro deixou-nos muito bem de vida.

-E como está sua mãe?

-Casou-se novamente, está ótima. Tornei-me dispensável na vida dela outra vez depois disso... - (O rosto dela tornou-se sombrio e muito sério ao dizer aquilo, mas logo depois, Shirley suspirou profundamente, e me olhou, sorrindo de novo) - mas o que importa, é que ela está feliz. E você? está feliz?

-Sim. 

-E como está Letícia? E sua avó?

-Ótimas! Morando juntas. Mamãe deixou-nos ficar no apartamento e mudou-se para tomar conta de vovó. Ela já é bem idosa, sabe. Mas está bem de saúde. 

-Letícia se casou de novo?

-Não. Mamãe é uma mulher independente, não quer se casar... acho que nunca vai se esquecer de papai. Teve alguns namorados, mas...

Notei o poder que Shirley sempre tivera de fazer as pessoas falarem mais do que gostariam, e interrompi o que estava dizendo, olhando no relógio de pulso:

-Bem, preciso ir. A gente se vê.

-Que pena. Tão cedo? Gostaria de conversar mais... que tal se jantássemos juntas?

-Hoje eu não posso. Tenho um compromisso, mas quem sabe outro dia?

Ela ficou séria por um instante, e depois concordou com a cabeça:

-Quem sabe outro dia. Vou leva-la até a porta. Tem certeza de que está bem?

-Ótima, obrigada, Shirley.

Ao chegarmos à porta, ela me envolveu em um abraço demorado que me deixou, ao mesmo tempo, desconfortável e constrangida. Mas eu achei melhor corresponder. Notei o perfume caro que ela usava e pensei em meus cabelos cheirando a gordura (estivera na cozinha preparando o almoço). Quando nos separamos, ela sorriu, e eu sorri de volta. Entrei no elevador com as pernas ainda bambas. 

Quando cheguei em casa, joguei-me no sofá, pensando naqueles últimos momentos. Mas logo, os momentos transformaram-se em anos, e em tudo o que acontecera no passado. Pensei em Diana, em sua mãe, em Pedro; pensei no dia em que conhecera Shirley na escola, quando ela me livrara do bullying; pensei na morte de Diana, nas festinhas, nas aulas, nas saídas juntas e nos finais de semana em que nós nos reuníamos todos em volta da piscina da casa de minha avó. Lembrei-me dos bons e dos maus momentos com Shirley, que se intercalavam sempre numa rapidez frenética, de suas mentiras e de suas verdades. Lembrei-me daquela nossa última noite como amigas, na casa de minha avó, quando eu, Laura e Adílio a confrontamos e decidimos que não a queríamos mais em nossas vidas. Lembrei-me da frieza com que nós três fomos tratados por ela e sua mãe quando fomos ao funeral de Santoro – última vez que nos vimos. E então, elas se foram sem despedidas e sem mais notícias. 

Oito anos se passaram. E agora, ela estava de volta. Por que? O que tinha feito com que ela voltasse, e comprasse, justamente, o apartamento que ficava no mesmo prédio onde eu morava? Noel entrou na sala naquele momento, e me viu preocupada. Após beijar-me na testa e começar a tomar café, perguntou:

-Que bicho te mordeu, amor?

-Adivinha quem está de volta... e morando no primeiro andar, exatamente no apartamento que nós queríamos comprar.

Ele sabia de toda a minha história com Shirley. Eu contara tudo a ele, e de vez em quando, ainda me via falando sobre ela com ele. Noel achava que eu tinha uma obsessão por minha ex-amiga, e dizia que eu deveria esquecer-me dela. E de tudo o que acontecera; afinal, não era problema meu. 

Ele comeu um biscoito, mastigando ruidosamente, e tomou um gole de café antes de perguntar.

-Não sei. Quem?

-Shirley.

Ele mastigou mais devagar:

-Jura? Como você sabe?

-Acabo de me encontrar com ela. Ela me convidou para entrar um pouco... se você visse o apartamento, que luxo que está... e ela... Shirley parece uma modelo de capa de revista, dessas famosas. Ela sempre foi bonita, mas agora, diria que ela exagerou.

Ele disse, brincando:

-Olha a inveja! Mas... o que a traz de volta?

-Não sei. Não ficou claro. Mas ela está... tão... diferente. Mais sofisticada, imagine... ela estudou medicina, mas não exerce a profissão. Acha que ser rica é mais fácil. Bem, ela sempre quis ter grana, e hoje, ela tem. Muita. 

-Bem... que tal convidá-la para vir aqui um dia? Gostaria de conhecer essa figura tão exótica. Afinal, ela fez parte da sua vida. A não ser que você não queira, é claro.

-Não... acho melhor convidá-la. Ela até sugeriu que jantássemos juntas hoje. E tenho certeza de que ela não vai desistir tão facilmente. Mas como Elisa e Breno vêm hoje à noite, achei melhor não misturar os assuntos, entende?

-Hum-hum. 

Noel sentou-se ao meu lado, e começou a beijar meu pescoço enquanto eu falava, e logo, o assunto morreu. Nós fomos para o quarto, de onde só saímos mais tarde, para almoçar. 

À noitinha, Elisa e Breno chegaram. Nós os aguardávamos com uma boa garrafa de vinho e massa, preparada por Noel. Nós éramos dois casais muito amigos e nos dávamos muito bem. Elisa era tudo o que eu sempre queria ter como amiga, e como sócia: honesta, verdadeira, assertiva, positiva, discreta, respeitadora. O oposto de Shirley. Com ela, eu me sentia sempre segura. Nós confiávamos totalmente uma na outra, e tínhamos um relacionamento de irmãs. Breno e Noel comportavam-se da mesma forma um com o outro, e nós quatro nos completávamos. A vida era bem mais fácil sabendo que poderíamos sempre contar uns com os outros.

Assim, o assunto da noite, após o jantar, enquanto jogávamos cartas, tornou-se Shirley. Não havia segredos entre nós. Breno escutou meu relato, dizendo:

-Se essa garota foi tão negativa assim na vida de todos, se eu fosse você, a evitaria.

Elisa concordou com ele:

-Eu também.

Eu sacudi a cabeça, negando:

-Não é tão fácil assim. Não posso simplesmente fingir que ela não existe. É claro, manterei uma distância segura, mas acho que um almoço ou jantar não fará nenhum mal. Cortesia. Apenas cortesia.

Elisa ergueu uma sobrancelha:

-Hum... acho que é mais curiosidade, isso sim. Coisa de mulher. Mas você ainda gosta dela, não é?

Todos riram, menos eu. Pensei naquela pergunta:

-Gostar de Shirley? Não sei. Houve uma época em que eu adorava a companhia dela. Ela era alegre, engraçada, espontânea... diferente das garotas que eu conhecera. Mas depois eu descobri que ela mentia o tempo todo, e fiquei com um pé – digo, os dois pés-atrás. 

Elisa perguntou:

-Você ainda acha que ela pode ter matado a irmã?

-Não... sim... sei lá. Ela é uma incógnita. Mas acho que não. Não, definitivamente, não. Isso é coisa de filme de suspense. Pedro, o pai, matou Diana. E sumiu no mundo para não ser pego pela polícia. 

Noel disse:

-Você está muito perturbada com a volta dela. Acho que vocês ainda podem ter coisas a dizer uma à outra. 

-Mas... por que ela foi voltar logo para este prédio? Isso me intriga!

Todos concordaram comigo. Servimos outra garrafa de vinho e continuamos a jogar, tendo Shirley como o assunto principal da noite. 


(continua...)









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