quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

AMOR E REVOLTA – CAPÍTULO XVI








Max e Gabi saíram juntos. Ele se surpreendeu com a conversa dela: diferente das garotas que ele conhecia, Gabi era brilhante, tinha uma inteligência sagaz e fazia observações que ele talvez pudesse ler em algum romance de escritor famoso. Ele nunca tivera tanto prazer em conversar com alguém antes. De repente, ele se viu pensando em conversar mais com ela, ao invés de simplesmente transar – embora a possibilidade o agradasse. 

No final da noite, eles estavam rindo e marcando novo encontro. E ele a beijou. Não tentou transar com ela ainda. Achou que ainda poderia vê-la de novo antes de tentar, pois ela era uma garota legal, e ele não queria descarta-la tão rapidamente. 

Gabi se surpreendeu com Max: ele não era tão cretino quanto ela pensara! Mas ela sempre se lembrava dos conselhos da falecida avó: “Cuidado com homens bonitos demais! São um pedaço de mal caminho.” Riu ao pensar no quão antiquado aquele pensamento soaria nos dias de hoje. 
Mas ela sentia que precisava contar a Marvin o que estava acontecendo. E passou uma mensagem para ele:

“Marvin, tenho que te contar uma coisa. Quero que saiba por mim antes de saber por outra pessoa.”

“De novo??? Você está se mostrando uma mulher de muitas revelações!”

“Eu estou saindo com o Max.”

Silêncio do outro lado da linha. Ela mandou um ponto de interrogação após alguns segundos. Ele respondeu:

“Não poderia ter escolhido pior. Esse cara é um comedor sacana, não respeita garota nenhuma.”

“Posso julgar por mim mesma.”

“Como se conheceram?”

Ela pensou antes de responder, e achou melhor não dizer a verdade – que tinham se conhecido quando ela foi falar com Jane a respeito dele, e acabou dizendo algumas verdades sobre a própria Jane. 

“Por acaso, em um barzinho.”

“Esse cara é um babaca!”

“Eu sei, mas eu sou esperta. Estou só vendo como é.”

“E vai ver com a cara no chão.”

Ela hesitou, diante da grosseria dele. Encerrou a troca de mensagens com um dedo médio em riste. Não gostava que lhe tratassem como se fosse criança. Marvin jogou o telefone sobre a cama, e saiu, batendo a porta. No corredor, passou por Melissa, e despejou:

-Sabia que a Gabi está saindo com o babaca do “Max Sol?”

Melissa deixou o queixo cair:

-Como assim?! Ela não me falou nada! Desde quando?

-Não sei. Saíram ontem e marcaram para sair de novo.

-Mas ele vai fazer pedacinhos do coração dela!

Melissa pensou no quanto Gabi podia ser doce e romântica, e no que um cara como Max faria com ela. 

-Fale com ela. Ela me deu o maior fora agorinha, e eu não sei o que fazer. Vou dar uma volta de bike para relaxar. Tchau!

E ele se foi, deixando uma Melissa atônita parada no corredor. 

Melissa imediatamente pegou o telefone; quando Gabi atendeu, ela logo disparou:

-O que você tem na cabeça? Geleca?

-Ah, você já sabe... não. Estou apenas me divertindo. Se não posso ter quem eu quero, me divirto com o cara errado enquanto procuro o cara certo.

-Gabi, você viu o que a irmã dele fez com o meu irmão. A escolha é sua.

-Eu sei, obrigada por me lembrar, amiga, mas eu estou bem. 

-Ele vai fazer picadinho do seu coração. Temo por você.

-Melhor temer por ele. Eu sou dura na queda. E não estou apaixonada, estou só... curiosa.

E as duas continuaram a conversa, com Gabi contando tudo sobre sua saída com Max. 
Em cima da bike, Marvin se viu pedalando em direção à casa de Jane. Parecia que a bicicleta conhecia o percurso de cor, e que seguia independente dele. Parou a alguns metros do portão, e observou o muro alto que isolava a casa. Deveria tocar a campainha?
Mandou uma mensagem:

“Estou aqui na porta.”

Esperou ansiosamente, mas passaram-se quase dez minutos e ela não respondeu, apesar de ter visualizado a mensagem. Ele enxugou o rosto molhado de lágrimas e continuou pedalando sua bike para longe dali. Sentiu que tinha cometido um erro, mas disse a si mesmo que não voltaria a cometê-lo de novo.

 Jane recebera a mensagem, e sentira o coração dar saltos no peito. Porém, pensou em tudo o que Gabi lhe dissera. Decidiu que seria melhor não abrir o portão. 

De repente, ela largou o telefone e saiu, descendo as escadas descalça e indo ao jardim, que atravessou correndo. Abriu o portão a tempo de ver a bicicleta de Marvin fazendo a curva, ao longe. Ela se encostou no muro, deixando que as lágrimas rolassem livremente. “É melhor assim”, pensou. 


Em seu apartamento, Gertrude agarrou a pasta com o dossiê sobre a família de Jane e saiu. Ia devolvê-lo a Luis, e pedir que sumisse com ele. Já que seu neto não tinha mais nada a ver com aquela família, não via necessidade em usá-lo. Queria destruí-lo ela mesma, mas passaria horas picando papel, pois não seria seguro queimar tudo em um apartamento ou jogar em uma lixeira qualquer. Luis dissera-lhe que tinha um triturador de papel em casa, e ela achou melhor levar o documento para que ele o destruísse. Colocou-o em uma bolsa de papelão, pois não cabia em sua bolsa à tiracolo. 
Antes, ela decidiu dar uma passadinha na casa da filha para ver como as coisas estavam indo. Não havia ninguém em casa, mas ela entrou com sua chave e deixou a bolsa de papelão no canto do sofá, junto à parede. Helena chegou com Teófilo, e todos foram para a cozinha conversar enquanto preparavam um bolo de chocolate e café. À noitinha, Rafaela e Cadu chegaram do trabalho, seguidos por Melissa e um Marvin triste e taciturno. Todos se juntaram na copa para lanchar, devorando o bolo que Helena e Gertrude haviam preparado. 

Gertrude acabou se esquecendo do que saíra para fazer, e entregou-se às conversas enquanto as horas passavam. Depois, toda a família foi assistir a um filme juntos, no cinema próximo – inclusive Marvin, que não fazia aquilo há algum tempo. Rafaela sentiu-se feliz no escuro do cinema, tendo novamente a família ao seu lado. 

A bolsa ficou esquecida no canto do sofá. 

E quando Gertrude finalmente se lembrou dela, já passava das onze da noite, e ela estava em sua cama, pronta para dormir. Ela sentou-se na cama, dando-se conta da irresponsabilidade do seu ato. Imediatamente, telefonou à filha, mas ela provavelmente já tinha ido dormir, pois o telefone tocou muitas vezes e não foi atendido. Ela se lembrou que Rafaela desligava o celular durante a noite. Pensou em ligar para Melissa, mas achou que seria melhor esperar até de manhã, temendo que Marvin estivesse por perto e desconfiasse de alguma coisa. Tentou ligar para Luis, mas ele também não atendeu.

Gertrude estava preocupadíssima com o destino daquela pasta! Se ela caísse nas mãos do neto, ele com certeza ficaria furioso com eles todos, e isso poderia desencadear uma nova crise emocional. Se caísse nas mãos de Cadu, ele ficaria muito magoado e zangado por não ter sido informado sobre o que eles estavam planejando. Se falasse com Teófilo ou Helena, eles a chamariam de irresponsável e lhe passariam um sermão; não poderia dar a eles tal gostinho!

De repente, ela lembrou-se de Gabi. Passou uma mensagem para ela, dizendo onde a pasta estava, e pedindo segredo sobre o fato de ela tê-la esquecido ali. Gani riu ao ler a mensagem, e prometeu que a primeira coisa que faria na manhã seguinte, seria ir até lá e resgatar a pasta, destruindo seu conteúdo.
E assim o fez, logo de manhã. 

Ela esperava um ônibus para ir até a casa de Luis, onde entregaria a ele a pasta, mas enquanto estava no ponto do ônibus, Max passou em seu carro conversível, e vendo-a lá, ofereceu-lhe uma carona. 
Gabi ficou mortificada – afinal, tinha nas mãos documentos que poderiam acabar com a vida de seus pais e com a boa vida que o próprio Max e a irmã desfrutavam – mas aceitou a carona. Entrou no carro, agarrada à pasta, mas ele tirou-a dela e jogou-a no banco traseiro junto com a bolsinha que ela carregava.

-Para onde está indo, Gabi?

Ela hesitou:

-Na verdade... agora que encontrei você, eu não sei... acho que... 

Ele logo percebeu que a menina estava um tanto nervosa. 

-Tudo bem com você?

Ela mentiu:

-Sim, tudo! 

-Então... vamos dar uma volta! Depois eu te deixo aonde você estava indo.

Ela olhou para ele, que a encarava com um sorriso tentador, e concordou. Não faria mal dar uma voltinha naquele carrão ao lado daquele gato:

-Está bem. Vamos!

(continua...)





5 comentários:

  1. Bom dia. Acompanhando a história com todo o interesse. Uma NOTA: Agora percebo porque as mulheres me dizem que sou um pedaço de mau caminho ...lool
    .
    Poema: -- Silêncios de mar em desamor tardio --
    .
    Abraço de amizade

    ResponderExcluir
  2. Humm interessante :))
    Bom dia

    Hoje:- A Dança no Paraíso
    .
    Bjos
    Fim de semana feliz.

    ResponderExcluir
  3. Querida Ana, não li todo, os capítulos primeiros, mas muito lindo e interessante este seu conto. parabéns amiga! Abraços, tenha um abençoado fim de semana.

    ResponderExcluir
  4. Ola Ana,
    Passando para deixar um beijo.

    ResponderExcluir

Obrigada por visitar-me. Adoraria saber sua opinião. Por favor, deixe seu comentário.

AS ESTRELAS QUE CONTEI - CAPÍTULO 14 - FINAL

  Havia na fazenda uma casa menor para hóspedes, que geralmente ficava fechada, e nós nos mudamos para lá. Uma semana depois do incêndio, Af...