Horas depois, eles voltavam do passeio que tinham feito por uma estrada belíssima e deserta ali perto. A manhã estava linda e ensolarada, e Gabi nunca tinha estado em um carro conversível antes. Eles se deitaram na relva, em um local junto a um córrego que ficava fora da visão para quem passava na estrada, e então ... aconteceu! Gabi perdeu a virgindade com um garoto totalmente inusitado, que ela nunca esperaria que olharia para ela um dia. E Max foi cuidadoso e carinhoso com ela, como ele nunca tinha sido com nenhuma garota.
Depois do passeio, ela pediu a Max que a deixasse próximo à casa de Luis. Ele parou o carro junto ao prédio, e beijou-a longamente. Gabi sentiu sua espinha arrepiar-se, e ficou na calçada acenando quando ele deu partida no carro e se afastou.
Ela ficou ainda por um tempo parada na calçada, enquanto uma menina que esperava um ônibus olhava para ela de cima à baixo, provavelmente intrigada com o carrão de seu namorado lindíssimo. Gabi virou-se e começou a caminhar na direção do prédio, entrando no elevador ainda em êxtase. Disse a si mesma que talvez seus amigos estivessem certos: ela não tinha controle da situação, e Max bem poderia ser um canalha comedor. Mas mesmo assim, ela ficou contente de poder, no futuro, lembrar-se da sua primeira vez naquele lugar maravilhoso com aquele cara lindo.
Tocou a campainha de Luis, e foi recebida por Clarisse, a mãe dele, que já a conhecia há muito tempo. As duas trocaram beijinhos e Gabi foi logo para o quarto de Luis, que esperava por ela.
-Onde você andou? Disse que vinha de manhã e me aparece aqui ás duas da tarde!
Ela jogou-se na poltrona dele, tirando os sapatos e esticando os pés sobre a beirada da cama:
-Estava por aí...
-Viu passarinho verde? Que bicho te mordeu, criatura?
-Ela olhou para ele longamente, antes de responder. Achou melhor deixar para outra hora o que tinha a dizer. Afinal, estava ali por um outro motivo; mas qual seria mesmo? Luis trouxe-a de volta à realidade:
-Então, cadê?
-Cadê o que?
E de repente, ela caiu em si: deixara a pasta no carro de Max! Gabi perdeu a fala momentaneamente, o que deixou Luis aflito:
-Gabi, você está bem?
Ele foi à cozinha e trouxe um copo d’água, entregando-o a ela, que o recusou com um aceno de mão. Gabi se levantou da poltrona e começou a andar de um lado a outro do quarto, a mão na testa:
-Meu Deus, o que fui fazer?
Luis percebeu:
-Gabi... cadê a pasta?
Enquanto isso, Max chegou em casa, parando o carro junto à porta de entrada. Logo, o motorista chegou para estacionar o caro na garagem da família. Ao virar-se para trás a fim de dar ré, ele notou a bolsa de papelão caída no chão do carro, e terminando seu serviço, levou-a até a casa. Como não encontrou ninguém à vista, ele a carregou até o escritório de Paco, onde Tavinho o aguardava para uma reunião.
-Com licença, senhor Tavinho. Só vim deixar esta bolsa aqui.
Dizendo isso, o motorista fechou a porta silenciosamente. Tavinho olhou para a bolsa de papelão sobre a cadeira; havia desenhos de pequenas rosinhas. Ele achou estranho aquela bolsa ali, totalmente fora de contexto, pois Jane e Sunny eram sofisticadas demais para ela, e Paco jamais usaria alguma coisa como aquela – nem mesmo para jogar o lixo fora, se um dia ele fizesse isso.
A curiosidade o fez caminhar até ela e olhar para dentro; avistou uma pasta com capa preta de papelão. Ele virou a cabeça para tentar ver o que estava escrito na capa, mas não conseguiu, então puxou-a um pouco para fora da bolsa: “Dossiê da família X”.
Quem seria a tal família X? será que aqueles papéis teriam alguma coisa a ver com a tal ‘pesquisa’ que andavam fazendo sobre eles na internet?
Finalmente, ele pegou a bolsa movido por um impulso e saiu da casa, sem ser visto por ninguém. Mais tarde, diria que tinha sido chamado para algo importante e que tivera que ir para Brasília imediatamente.
(continua...)
Boa tarde. Visitando, lendo, acompanhando.
ResponderExcluir.
* Água que purifica teu corpo ... em efemérides de sentido *
.
Deixo abraço de amizade
Tudo aqui resplandece luz, emoção, sabedoria!
ResponderExcluirBeijos!!