quarta-feira, 8 de maio de 2019

INOCÊNCIA - PARTE I - Capítulo XVIII





QUASE...

Naquele um ano, meu romance unilateral com Duílio continuou. De vez em quando, eu lhe roubava um beijo, ao qual ele resistia, mas acabava correspondendo. Eu estava com quase dezoito anos, e sabia muito bem do meu poder de sedução sobre os homens; tornara-me uma linda mulher. Mas guardava todas as minhas investidas sedutoras apenas para ele, que às vezes, cada vez mais raramente, conseguia resistir. Ele me dizia que não queria nos colocar em posições constrangedoras diante de meus pais, pois os dois eram amigos; falava da nossa diferença de idade e dos julgamentos da sociedade. Eu contestava tudo, e fazendo um olhar sexy, beijava-o, calando sua boca. Mas nunca íamos além daqueles beijos roubados. Eu afirmava que estava totalmente apaixonada, e que bastaria ele me pedir, e contaria a todo mundo, assumindo nossa paixão; ele dizia para eu deixar de ser criança, ou louca, ou impulsiva, ou perdia a paciência comigo e ficava dias sem aparecer lá em casa. Eu sabia que, no fundo, ele gostava de ter seu ego de macho sendo massageado por uma bela jovem fogosa e apaixonada. Infelizmente, Duílio era responsável demais, comprometido demais com meu pai e os negócios, formal demais. Eu não sabia mais o que fazer para quebrar aquele gelo, derrubando tanta formalidade.

Certa vez, nós quase chegamos aos ‘finalmente.’ Ele apareceu lá em casa numa tarde de sábado, pois tinha marcado com meu pai para colocar algumas coisas em dia. Mas papai precisou levar mamãe ao médico de repente , pois ela se sentira mal, e os dois saíram, me deixando sozinha em casa. Eugênio e Flora estavam em seu apartamento. Atendi a porta usando um penhoar, pois eu acabara de tomar banho, e servi-lhe um drink, explicando que papai tinha ido levar mamãe ao médico. Ele pareceu muito preocupado com ela, mas eu disse que ela logo estaria bem, e que tinha sido algo que comera no jantar. Sentei-me ao lado dele, e de propósito, mas tentando fazer parecer que tinha sido acidental, cruzei as pernas e o penhoar abriu uma fenda, deixando-as à mostra. Notei o olhar dele, que tentava disfarçar, mas que estava preso em meus joelhos, subindo até as minhas coxas.

Excitada, percebi também a excitação dele. Tentando fazer com que parecesse um gesto casual, Duílio pegou uma das almofadas do sofá, tentando cobrir-se, mas eu a retirei, após alguma resistência dele, e encarei-o, dizendo:   

- Até quando isso vai continuar? Eu sou uma mulher, você é um homem, e ambos sabemos muito bem o que queremos.

Ele me agarrou com força pela primeira vez, me beijando de um jeito que eu nunca tinha sido beijada. As mãos dele subiram pelas minhas pernas até o ponto desejado, e eu achei que finalmente teria o que queria. Ele começou a me acariciar ali, e eu cedi, entregando-me completamente ao meu primeiro orgasmo através das mãos de um homem. Ele beijou meus seios e minha boca. Ele me apertou contra o seu corpo, e de repente, começou a se tocar. Eu nunca tinha visto um homem se masturbando antes; eu  nunca tinha visto um homem naquele estado… toquei-o também, suavemente, e observei, fascinada, enquanto ele se aliviava no lenço de algodão branco que tirara do bolso do paletó.

Quando ele abriu os olhos, tinha o rosto vermelho, e eu estava novamente muito excitada. Tentei beijá-lo, pois queria entregar-me a ele totalmente, mas Duílio me afastou dele.

Levantando-se do sofá abruptamente, ele foi até o banheiro. Voltou minutos depois, parecendo envergonhado e arrependido. Tinha lágrimas nos olhos. 

-Você me deixa louco, Yara. Não podemos continuar com isso.

 Levantei-me furiosa com ele pela primeira vez. Eu queria mais. Eu o queria por inteiro, e tudo o que ele me dizia, é que eu não poderia tê-lo.    

Eu às vezes me cansava daquele jogo de gata e rato, mas não podia conceber a minha vida sem aquela paixão, sem lutar por aquele homem. Um dia, escutando a conversa de Joana com uma amiga que dizia como ela tinha conseguido conquistar o namorado fazendo ciúmes nele com outro rapaz, eu achei que tinha descoberto a pólvora: eu ia arranjar um namorado para fazer ciúmes a Duílio!

(continua...)





5 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    1. (fiquei tão assim, quer dizer,
      nervoso que escrevi besteira.
      Esta foi a razão de ter excluído
      o texto). Desculpa.



      .

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  2. Jesus do céu! Aninha, pede a Yara
    pra me trazer uma almofada, por favor...

    (adorei, cara. A d o r e i).


    .

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  3. Olá, tudo bem, Ana!
    Vi que vc visitou minha página do FB e vim conhecer.
    Que texto, que maravilhoso texto!
    Estou seguindo vc é voltarei para conhecer melhor a sua obra.
    Um abraço.

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    1. Quero dizer: foi um equívoco quando disse que vc visitou minha página rsrs. Alguém compartilhou e eu vim conhecer...desculpas.

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