segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

AMOR E REVOLTA - CAPÍTULO XI







Assim que Luis chegou de viagem, enquanto desfazia as malas, o telefone dele tocou. Número desconhecido. Ele atendeu:

-Luis?

-Sim. Quem fala?

-Aqui é Gertrude, avó de Marvin e Melissa. Pedi seu número a ela. 

Luis ficou confuso: O que a avó de seus amigos poderia estar querendo com ele?

-Oh, olá, Dona Gertrude! Em que posso ajudar? Está tudo bem com o Marvin?

-Sim, está tudo bem, fique tranquilo. Preciso de sua ajuda para olhar uma coisa na internet. Podemos conversar?

Ele gaguejou:

-C-claro! Estou chegando hoje de viagem. Posso dar um pulo aí.

Marvin sabia onde a avó de seus amigos morava; já tinha passado por lá, embora nunca tenha entrado.

-Não, pode deixar. Eu vou até aí, se não se importa. Meu computador está com defeito.

-Posso levar meu laptop! Também posso dar uma olhada para ver se acho o defeito no seu computador.

Em quinze minutos, Luis batia à porta do apartamento de Gertrude. Ela mandou que ele entrasse, e o rapaz ficou surpreso ao encontrar um apartamento pequeno, mas muito confortável e bem decorado, sem plásticos forrando o sofá e sem milhares de bibelôs bregas sobre a mobília, atravancando tudo, como no apartamento de seus avós. Gertrude tinha um gosto minimalista, e apenas algumas pinturas na parede. O apartamento era limpo, claro e arejado, e Luis adorou o que viu.

Ela trouxe um refresco de manga, e os dois se sentaram na pequena e confortável sala de estar, bebericando o refresco. Gertrude perguntou se ele tinha feito boa viagem – Melissa comentara que ele estivera fora – e após a quebra de gelo, Gertrude disse:

-Bem, eu o chamei aqui porque preciso que me ajude a investigar umas pessoas na internet...

O menino sorriu, confuso:

-Investigar? Como assim?

Ela colocou o copo sobre a mesinha de madeira e vidro:

-Então... é sobre essa nova namoradinha de Marvin. E sua família, e esse amigo deles, o tal Deputado Tavinho. Preciso saber mais sobre ele, pois quero ter certeza sobre onde meu neto está se metendo.

Luis se encolheu na poltrona, involuntariamente. Ela estava pedindo que ele investigasse a namorada de seu melhor amigo. Se Marvin ficasse sabendo, com certeza nunca mais o perdoaria.

-Sabe, Dona Gertrude, eu não sei se é uma boa ideia... o Marvin gosta demais dessa menina. Ele ficaria muito p... zangado comigo se eu fizesse o que a senhora está me pedindo.

Gertrude balançou a cabeça, concordando com ele:

-Ora, mas só se ele ficar sabendo. E eu garanto que não vai! É um segredo. E você estará ajudando seu melhor amigo. Sabe... fiquei sabendo – a Melissa me disse – que meu neto não tem mais estado com você e com Gabi. Vocês sempre foram melhores amigos! Isso me preocupa. E eu sei que a tal de Jane é o pivô dessa separação entre amigos. Preciso saber quem ela é, quem é essa família estranha. O que você sabe?

-Bem, eu sei tanto quanto a senhora. Só fiquei sabendo no início que ele estava gamado na Jane. Só isso. Logo depois eles começaram a namorar e ele se afastou da gente. Mas a Melissa não gosta dela. Pra falar a verdade, nem eu e nem Gabi gostamos. Ela é estranha... não fala com a gente, se comporta como se fosse melhor que todo mundo.

-Ou como quem tem algo a esconder.

Luis estudou o ar pensativo dela, e concordou:

-Talvez.

Ela disse, animada:

-Vamos colher informações. Se for preciso, eu pago pelos seus serviços.

-Ora, não, eu... claro que não, Dona Gertrude. E eu não posso fazer isso...

Ela foi imperativa; encarou-o:

-Quer ajudar seu melhor amigo ou não?

Luis ficou em silêncio, pensando no assunto, enquanto os olhos incisivos de Gertrude pareciam ter o poder de derreter sua pele:

-Bem, então... está bem!

Ela bateu palmas., pegando o seu copo  erguendo-o em direção a ele, que instintivamente, brindou com ela:

-Temos um acordo! Pode começar a manhã. Agora vamos lá dentro. Quero ver se você consegue ver o que há de errado com meu desk top.

E Luis passou pelo menos mais quatro horas no apartamento de Gertrude, formatando seu computador e reinstalando o sistema.

No dia seguinte, em seu quarto, Luis começou a investigação. Gabi e Melissa estavam com ele, as duas esparramadas sobre a cama. Luis contara a elas sobre o plano de Gertrude, e as duas acharam a ideia excelente. Levaram seus próprios laptopts para ajudar nas pesquisas. Os três trabalhavam em silêncio, falando apenas para cruzar informações. Ficou decidido que Gabi investigaria Jane, enquanto Luis procuraria informações sobre o Deputado Tavinho e a ONG, e Melissa acharia o que pudesse sobre Sunny e Paco. Após alguns minutos apenas, Gabi quase gritou:

-Gente! Vejam o que eu achei sobre aquela metidinha!

Os três se juntaram em volta do computador dela:

-Essa menina... ela é... ou ele é... 

Os três disseram quase em uníssono:

-Karaka!

 Gabi largou o computador, ajoelhando-se sobre a cama:

-Ela nasceu com dois sexos! Era menino! Foi operada e escolheu virar menina... será que o Marvin sabe disso?

Luis nem sabia o que dizer, e continuou lendo a matéria enquanto as duas se desmanchavam em “ohs” e “Ahs”. Ele disse:

-Não é bem assim, meninas; ela não nasceu menino, nasceu com os dois sexos. Optou pelo mais 
abrangente, e se quiser, pode até ter filhos, pois tem todo o aparelho reprodutor feminino.

Gabi quase berrou:

-Mas ela é uma aberração! Freak!

Melissa discordou da amiga;

-Não... não é bem assim, amiga. Ela não teve opção. Ela nasceu desse jeito e fez uma opção. Uma escolha inevitável. Seria sujo da nossa parte usar isso contra ela. 

Gabi pensou um pouco, e acabou concordando. Os três ainda discutiram durante algum tempo sobre o que tinham descoberto, e resolveram acrescentar a informação à lista do dossiê que estavam preparando. Alguns minutos mais tarde, Luis chamou as duas: 

-Meninas! Olhem isso aqui!

As duas se ergueram da cama, ficando de pé ao lado da escrivaninha onde ele estava trabalhando: na tela, uma fotografia da sede da ONG Coração Aberto. A reportagem datava de seis anos atrás. Sob a foto, a seguinte legenda: “ONG Coração aberto Sob Investigação – Lavagem de Dinheiro?” Os três leram a extensa reportagem, que dizia sobre as gordas doações pessoais feitas pelo Deputado Tavinho ao longo dos anos, e sobre a descoberta de uma imensa plantação de maconha próxima ao local da ONG, embora ninguém tivesse conseguido juntar provas que conectassem a plantação à ONG. Os três tentaram achar reportagens que pudessem esclarecer melhor o caso, mas após aquela, elas tornaram-se mais raras e menos abrangentes, até que desapareceram, sem que houvesse qualquer menção ao caso nos anos posteriores. Luis investigou o nome do jornalista: Paulo Souza. Ao procurar pelo Facebook do mesmo, descobriu que ele tinha morrido em um acidente de carro há cinco anos. 

Na sua timeline, declarações de pessoas que o conheciam, lamentando o ocorrido, e uma delas fez com que arrepios percorressem as espinhas dos três jovens: “Meu pai foi morto para que não revelasse um grande escândalo envolvendo uma ONG e um certo deputado! Quando haverá justiça nesse país?” Tratava-se de uma declaração de um dos três filhos do jornalista morto. Após comentarem o que tinham acabado de ler, Luis declarou:

-Gente. Vamos para a Deep Web. Tenho uns amigos lá que vão ajudar.

(continua...)





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