terça-feira, 12 de novembro de 2013

EVA - Capítulo IV




Passei o dia todo no trajeto entre a minha cama e o banheiro do meu quarto. Arrependi-me amargamente por ter bebido tanto, logo eu, que tinha o estômago fraco. Minha mãe tentou dar-me um chá, mas só de sentir-lhe o cheiro, a náusea aumentava ainda mais. Eva passou o dia todo me ignorando, mas polidamente, pediu que minha mãe me estimasse as melhoras por ela.
No dia seguinte, já me sentindo melhor, fui tomar o café da manhã com a família; Eva já tinha saído. Ela estava claramente me evitando. Mas o que tinha acontecido entre nós não podia continuar sendo ignorado! Eu sabia que tinha significado algo para ela também, e não ia deixar aquele momento ser simplesmente enterrado no tempo. Assim, resolvi ir até o apartamento dela.

Toquei a campainha, e vi pela greta da porta quando ela se aproximou e do olho mágico; não abriu. Insisti, e comecei a bater e falar alto no corredor, e finalmente, ela abriu e fez sinal para que eu entrasse. Olhando em volta, vi que os sofás tinham chegado, e o quadro que mamãe dera tinha sido pendurado. Havia também um tapete enrolado no canto, ainda embalado.

Ela fez sinal para que eu me sentasse, e eu o fiz, sem tirar os olhos dela. Eva usava um vestido azul sem mangas muito simples, que ela costumava vestir quando ficava em casa, e como sempre, com sua elegância e escolha certa de acessórios, ela conseguia fazer com que uma peça totalmente sem graça parecesse uma roupa cara de grife quando a usava.

-Elton, acho melhor esclarecermos algumas coisas...

-Eu também. Você tem me evitado.

-Bem, é claro que tenho, afinal, depois de tudo o que aconteceu! Só quero deixar claro que eu sinto muito, e sei que também tive uma parcela de culpa... mas de hoje em diante, tudo será diferente, pois percebi que eu vinha monopolizando você, e sua atenção, em um momento da vida no qual eu me sinto triste, carente e solitária, era como uma carícia em meu ego.

-O que? Então você quer dizer que estava ... me usando?...

Ela se levantou, caminhando até o meio da sala. Seus saltos ecoavam no piso.

-Não, não é isso! Apenas quero dizer que deixei com que as coisas se confundissem. Se eu tivesse mantido uma certa distância emocional, tudo estaria bem. Gosto muito de você, Elton, e por isso, é muito importante para mim que você me entenda... é impossível ficarmos juntos porque...

Levantei-me e fui até ela, segurando suas mãos.

-Eva, eu já sei o que você vai dizer; vai falar da nossa diferença de idade. Vai dizer que as pessoas vão nos apontar na rua, e que minha mãe vai nos odiar... e que todos serão contra... mas eu estou pronto para enfrentar o mundo por você.

Ela sacudiu a cabeça, rindo; aquele gesto me irritou, mas eu me calei, enquanto ela levava a mão à cabeça:

-Não, nada disso... olhe só, Elton! Como você pode deixar que as coisas sigam por este caminho? Você é tão... maravilhoso, e ao mesmo tempo, tão... infantil! Nós mal nos conhecemos! Fazem apenas algumas semanas desde que cheguei, e você acha que está apaixonado por mim... ora, veja!

Aquilo realmente me ofendeu, e cerrei os lábios. Senti que meus olhos lacrimavam.

-Aquele beijo que eu dei em você foi infantil, Eva? Foi coisa de garotinho? E você correspondeu!

-Eu já explique! Eu estava, aliás, eu estou carente demais... confundi as coisas. Não existe e nem pode existir nada entre nós, Elton. Você não passa de um rapazote, e eu sou uma mulher madura.

Ela me olhou friamente. Num impulso, eu andei até ela e sem nada dizer, passei meus braços em volta do seu corpo, beijando-a com paixão. Ela tentou desvencilhar-se de mim, mas eu era mais forte, e continuei beijando-a à força. Ela se movia entre meus braços, até que finalmente soltou-se, dando-me uma bofetada no rosto. Instintivamente, levei minha mão à bochecha que queimava. Ela tapou a boca, em sinal de arrependimento, e veio até mim, mas eu andei para longe dela. Fiquei de pé à janela, de costas para ela, pois não queria que me visse chorar.

Ouvi quando ela suspirou profunda e tristemente, sentando-se novamente no sofá. Olhei para trás; Eva estava com o rosto entre as mãos, os cotovelos apoiados nos joelhos. Aproximei-me, ajoelhando-me em frente a ela.

-Eu amo você. Não precisa tentar entender, eu sei que faz pouco tempo desde que nos conhecemos, Eva, mas o que eu posso fazer? Nunca senti isso ou nada parecido por nenhuma das garotas que conheci. Você é quem eu quero! E se as pessoas falarem, o que me importa? Eu estou apaixonado por você, e aconteceu no primeiro dia em que nos vimos. E acho que será sempre assim, Eva. mesmo que você não me queira.

Ela olhou para mim, e vi a dor em seus olhos.

-Você compreende, Elton, que eu sou vinte e cinco anos mais velha que você, e que quando eu tiver...
-Já fiz estas contas, Eva.
-Mas e seus amigos, você terá vergonha de mim, e eu...
-Se você está falando assim, então é porque também me ama! Você também pensou nessas coisas todas! Por que pensaria, se não me amasse também?

Eva baixou os olhos para as mãos, e depois olhou-me novamente.

-Olhe bem para o meu rosto, Elton! Olhe bem de perto! Minha pele já não tem o vigor e a firmeza de antes. Meu corpo também já não é tão firme e flexível quanto...
-Você é maravilhosa!
-Mas eu tenho rugas, eu estou envelhecendo, e logo isso será óbvio!
-Você é maravilhosa!
-Eu... eu tenho muitos cabelos brancos! Sabe, eu tinjo...
-Você é maravilhosa!

Aos poucos, sentei-me ao lado dela, sem deixar de olhá-la, e beijei-a novamente. O que aconteceu depois, nem é preciso contar... apenas digo que foi a experiência mais maravilhosa que eu já tivera, e confesso, que já tive, até os dias de hoje.

Eva era uma mulher linda, apaixonada, carinhosa e experiente, e parecia sentir uma sede de muitos anos.

Mais tarde, fomos almoçar juntos na cidade. Escolhemos um restaurante afastado do centro, onde achamos que não haveria nenhuma possibilidade que alguma amiga de mamãe, vizinho ou conhecido nos visse. É claro, Eva pagou a conta. Eu me senti constrangido, e disse a ela que logo encontraria um emprego e as coisas mudariam. Se fosse preciso, desistiria da faculdade, e ela protestou veementemente. Também lhe disse que eu falaria com meus pais naquele mesmo dia, e que se eles não concordassem, me mudaria para o seu apartamento.

-Você está indo rápido demais, Elton. As coisas não podem ser assim. Eu não posso simplesmente dizer à Graça que seduzi o filho de 21 anos dela enquanto ela me recebia em sua casa!

Segurei a mão dela. Percebi que quatro mulheres em uma mesa vizinha nos olhavam. Eva percebeu, e corou, escorregando a mão para longe da minha. Vi que ela estava prestes a chorar, então servi-lhe um pouco de água.

-Eva, nós precisamos nos acostumar com este tipo de reação. Precisamos enfrentar tudo se quisermos ficar juntos.

Ela sorriu levemente. Percebi o quanto Eva se sentia desconfortável em público, agora que éramos amantes. Pensei em sua vida passada, de mãe e esposa. Tentei compreendê-la, concluindo que ela logo se acostumaria, quando eu a fizesse a mulher mais feliz do mundo.

-Eu penso em minha filha, Elton... qual será a reação dela?
-Se ela a ama - e tenho certeza que sim - gostará de saber que a mãe é feliz; senão, ela já tem sua própria vida, em outro país. Você precisa reconstruir a sua!

Ela assentiu. Olhou-me novamente nos olhos, e segurou minha mão sobre a mesa. Escutamos as risadas abafadas na mesa próxima, e ela baixou novamente os olhos. Olhei diretamente na direção das mulheres, erguendo meu copo como se lhes fizesse um brinde. Elas se calaram. Eva sorriu, desta vez, seu mesmo maravilhoso e aberto sorriso.

(continua)




2 comentários:

  1. Boa noite Ana.. a questão da idade realmente incomoda muita gente.. mas como dizem o amor não tem idade.. eu já passei por isso. mas acabei desistindo pq a mae da moça jamais aceitaria a nossa diferença de 11 anos.. mesmo ela gostando muito de mim e eu dela.. não segui,.. tem pais que não entendem.. infelizmente e a vida segue com ou sem empecilhos bjs e uma linda noite

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  2. Boa noite querida Ana , a minha visita hoje é para divulgar meu novo blog. Criei mais um com o nome FILOSOFANDO NA VIDA, para postar minhas produções textuais, pensamentos e poesias. Ficarei feliz com sua visita e se me de o prazer de curtir mais este projeto.
    O linque do blog é:
    http://filosofandonavidaproflourdes.blogspot.com.br/
    Uma linda noite e que a paz Divina esteja sempre com você e sua família.
    Bjuss , Profª Lourdes Duarte

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