sábado, 5 de julho de 2014

Como fazer Amigos - Um Conto Juvenil - Parte V







Quando entrei na sala de aula (atrasada) todos os olhares voltaram-se para mim. Mais uma vez, maldisse minha mania de ruborizar sempre... pude ouvir alguns comentários e olhares de admiração pelo meu novo visual, e quase morri de vergonha quando a professora comentou o quanto eu estava diferente, mais bonita. Agradeci entre os dentes e sentei-me em meu lugar de cabeça baixa, enquanto o pessoal aplaudia. Quando ergui os olhos, mal pude acreditar no que vi: Priscila, de pé, sorria e agradecia os aplausos! Senti-me usada por ela, mas nada falei. Tentei levar em consideração o fato de que pude agradar minha mãe, e também o de que, afinal de contas, eu mesma gostara do efeito do meu novo visual.

Mas apenas um olhar me interessava realmente; olhei para os fundos da sala de aula. procurando pelo olhar de Santiago, e encontrei-o fixado em mim. Ele sorriu, e finalmente, eu retribui.

Na hora do recreio, eu voltava da cantina quando o vi caminhar na minha direção. Fiquei parada no meio do caminho, segurando o refrigerante com uma mão e o bolinho de salsicha com a outra, deliberando o que fazer. Ele parou bem na minha frente e disse um "oi" que me fez derreter. Respondi, ainda segurando o lanche, não me atrevendo a começar a comer na frente dele. Notei que as outras meninas (principalmente as 'seguidoras' de Priscila, que não estava por ali no momento) nos olhavam. Débora, a melhor amiga de Priscila, na verdade me fuzilava com o olhar.

Santiago enfiou as mãos nos bolsos da calça, e encolhendo os ombros, me disse:

-Você ficou mais bonita ainda. Gostei do novo look.
-Obrigada, eu... na verdade, foi coisa de minha mãe, e de Priscila - ela me ajudou, nós fomos fazer compras juntas, e ela levou-me a um salão de beleza, e...

Ele riu:

-Não precisa explicar, Nanda. Uma mulher não deve revelar seus segredos. Mantenha o mistério. Finja que nasceu assim.

Eu fiquei sem saber o que responder, e sorri. 

Ele apontou para o meu lanche:

-Não vai... comer?

Senti a garganta seca, mas mesmo assim, arrisquei uma mordida, sentindo a massa do bolinho indo de um lado ao outro da minha boca. Arrematei tudo com um bom gole de refrigerante. De repente, lembrei-me das regras de boa educação, e ofereci a ele:

-Você quer?

Ele pegou a garrafa de refrigerante da minha mão e tomou um grande gole, devolvendo-a em seguida. Coloquei a boca no gargalo, sentindo arrepios por saber que a boca dele estivera ali. O tempo todo, eu tentava ser o mais natural possível, mas minhas pernas estavam tremendo, e eu, apavorada de fazer alguma bobagem e parecer ridícula. Ainda sentia os olhos das outras garotas nas minhas costas, como línguas de fogo. 

Santiago passou a mão no meu cabelo de uma maneira mais íntima, chegando mais perto de mim, o que me fez quase desmaiar:

-Você tem um cabelo lindo... e muito macio... sabe, estive pensando: não quer dar uma volta por aí depois da aula?

O convite me pegou de surpresa, e fiquei feito boba, olhando para ele sem conseguir falar. Deixei cair o bolinho de salsicha. Balancei a cabeça freneticamente, numa afirmativa, e ele riu de novo. 

-Você é engraçada. Gosto de você.

Débora, a  amiga de Priscila, parecia furiosa. Eu nunca vira ninguém olhar para outra pessoa com tanta raiva. Santiago disse que esperaria por mim na hora da saída para irmos dar um passeio em sua motocicleta. beijou-me no rosto, e entrou na sala de aula. Eu ainda estava meio-abobada, quando Débora seguida por suas amigas e pisando duro, me abordou, dizendo:

-Mas você é uma traíra mesmo, hein?

As outras meninas ficaram atrás dela, dando apoio:

-O que? Do que você está falando, Débora?

-A Pri te dá a maior força, e você a apunhala pelas costas?

-Como assim?

-Fica dando em cima do carinha que ela está a fim! Você é muito sonsa, mesmo. Ela que tome cuidado com você. Bem que eu avisei a ela que você não era confiável.

Dizendo aquilo, e ela e as outras se afastaram e entraram na sala de aula. 

Fiquei pasma! Jamais poderia imaginar que Priscila estivesse a fim de Santiago. Os dois não tinham nada a ver. Bem, ele era lindo... muitas meninas gostavam dele, eu sabia. Mas eu jamais poderia desconfiar que fosse ele o garoto que a Priscila estava tentando conquistar - ela me dissera, no nosso primeiro encontro em sua casa, que era a fim de alguém.

Eu estava em uma sinuca de bico; afinal, ela agora era minha amiga... e agora eu tinha metade das meninas em minha sala de aula com ódio de mim.


(continua)






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