quarta-feira, 23 de julho de 2014

Como Fazer Amigos - Um conto Juvenil - FINAL -






Só abri o bilhete quando cheguei em casa, na segurança do meu quarto. Ele dizia, em uma caligrafia irregular e bem pequenininha:

"Nanda,

Não sou poeta e nem sei escrever bonito, mas queria te dizer que eu sou sincero, e que o que eu vou escrever aqui é a mais pura verdade:
Não consigo esquecer aquele primeiro dia quando ficamos juntos. Penso em você o tempo todo. Fui um idiota em duvidar de você. Eu acho que me apaixonei seriamente... peço que você me dê mais uma chance, se ainda estiver a fim de mim. E nesse tempo em que estamos separados, mesmo tendo ficado pouco tempo juntos, eu acho que posso dizer que seja bem possível que eu esteja te amando. Nunca me apaixonei, então não sei direito, mas se amar alguém significa pensar naquela pessoa o tempo todo, querer estar junto, lembrar dos bons momentos, perder o apetite e sentir um aperto no estômago toda vez que ela está perto, então eu estou perdido.
Me liga!"

E foi só. Mas foi o suficiente para transformar meu coração em gelo derretido. peguei o telefone e quando ele atendeu, ficamos mudos. Eu escutava a respiração dele do outro lado. De repente, ele desligou. Achei que a ligação tinha caído, e tentei chamar de novo, mas alguns minutos depois, escutei o ronco de sua motocicleta em minha porta. Corri para a janela, e acenei para ele, que ficou me olhando. Ele acelerou, fazendo sinal para que eu saísse, e eu corri porta a fora, e subi em sua garupa, abraçando-o forte. 

Depois, foram muitos beijos, abraços, carinhos...

Ele disse que preferia meu velho/novo visual, pois aprendera a gostar de mim daquele jeito, e eu também me sentia bem mais à vontade sendo eu mesma do que sendo o que queriam que eu fosse. Voltei a usar meu anel de caveira prateado. Não sei bem o motivo, mas tornei-me tão popular na escola, que muitas garotas começaram a se vestir de preto e usar anel de caveira!

Eu e Priscila voltamos a ser amigas - inseparáveis. Ela conversou com sua mãe, abrindo-se para ela, e descobriu que na verdade, tudo o que ela achava que a mãe esperava dela, era apenas coisa de sua cabeça. Sua mãe a amava como ela era, mas não sabia o que fazer para que ela entendesse isso. Seguindo meu conselho e se abrindo para sua mãe, Priscila quebrou um gelo de muito tempo, e as duas tornaram-se muito unidas. Passei a frequentar sua casa, e descobri o quanto a mãe dela era legal. 

Bem, Priscila nunca deixou de ser patricinha - ela descobriu também que se vestia daquela maneira e fazia as unhas três vezes por semana porque ela mesma gostava. Continuou gastando horrores em salões de beleza e shoppings, mas isto não fazia com que deixássemos de ser as melhores amigas. Aprendemos que as pessoas que parecem ser diferentes da gente tem sua própria identidade, e que podem ser pessoas muito legais quando vencemos as barreiras do preconceito e do medo.

 Quanto a Débora, acabou mudando de escola. Sua popularidade acabou caindo bastante, e seus pais acharam melhor que ela recomeçasse em outra escola.

Não posso esquecer de dizer que Priscila foi minha madrinha de casamento quando fiz 25 anos. Aliás, Priscila e Santiago foram meus padrinhos de casamento (eles se começaram a namorar quando eu e ele terminamos, dois anos depois). Formamos dois casais de amigos inseparáveis, e nossa filha e a filha deles brincam juntas até hoje.



FIM




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