segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

O ANJO NO PORÃO - CAPÍTULO VI






O ANJO NO PORÃO
CAPÍTULO VI

Régis só tinha um lugar para onde levar Regiane: de volta ao casarão. Chegando lá, a criança estava tão abalada que ainda não conseguia conter os soluços, e seu pequeno corpo tremia. Penalizadas, Fiorela e Rosa a acolheram, dando-lhe um banho quente, penteando seus cabelos embaraçados – que precisaram ser cortados à altura das orelhas, de tão cheia de piolhos que a menina estava – e deram-lhe comida decente. Mais tarde, enquanto Rosa cantava para ela dormir, esperando que o dia seguinte pudesse apagar da cabeça de Regiane aqueles acontecimentos tristes, Fiorela e Régis ficaram conversando na cozinha. Estavam sentados diante um do outro, ambos segurando canecas de café preto. A luz difusa de uma tarde nebulosa entrava pela enorme janela da cozinha. Acariciando a barriga crescida, Fiorela quebrou o silêncio:

-Régis, como você pode ver, vou ter meu bebê por esses dias, e não posso olhar Regiane. E Rosa vai começar a trabalhar em um escritório de contabilidade, não vai ter tempo de olhar por ela. 

Régis concordou com a cabeça.

-Não sei mais o que fazer. Preciso trabalhar para viver e para sustentá-la. Já tentei falar com Hanna, fazer com que ela aceitasse Regiane, mas parece que ela nutre uma espécie de ressentimento, como se a menina tivesse culpa de ser filha de Vicentina. 

Naquele momento, João entrou na cozinha, já ciente de tudo o que acontecera, pois encontrara com Rosa, que lhe contou tudo. 

- Caro Régis, eu posso tentar falar com Padre Paulo. Ele conhece muitas escolas, internatos onde você poderia deixar Regiane. Pelo menos, ela receberia uma boa educação. Há a possibilidade de ela ser aceita em uma destas escolas, pois estamos no começo do ano letivo.

Régis não gostava da ideia de separar a filha da família, internando-a em uma escola de freiras, mas acabou concordando com João que aquela era a melhor alternativa, pelo menos por enquanto. No dia seguinte, Padre Paulo conseguiu que a madre superiora do colégio Nossa Senhora da Ajuda, Irmã Malvina, o recebesse, e à filha. 

Ainda traumatizada pelos últimos meses, Regiane adentrou a escola silenciosa, pois era o período de final de férias e muitas das meninas - as que não eram órfãs - tinham ido para casa. A escola funcionava em um prédio enorme, de longos corredores e salões de pisos de tábua corrida que faziam com que seus passos ecoassem fantasmagoricamente. Regiane nunca vira um lugar tão limpo e bonito em toda a sua vida, mas também nunca vira um lugar tão grande, com paredes tão altas e brancas, enfeitadas com quadros que retratavam rostos sérios de pessoas que ela nunca conhecera e que pareciam estar todas mortas há muito tempo. Achou que teria medo de viver ali.
Apontou os quadros, e o pai explicou-lhe que eram padres e freiras que tinham passado por ali e sido importantes, e por isso, suas fotografias estavam penduradas naquelas paredes. Regiane apontou para um quadro de um homem seminu, que pendia do alto de uma cruz, e sentiu pena dele, pois ele parecia estar sentindo muita dor. O pai explicou que aquele era o Nosso Senhor, que morrera na cruz para salvar a todos. Ela não entendeu, mas concordou com a cabeça em silêncio. Agarrava-se à mão do pai, tentando ficar o mais junto dele possível. 

Ainda tiveram que esperar alguns minutos antes que Irmã Malvina os recebesse, e enquanto isso, o pai olhou pela janela e avistou um balanço no pátio de terra da escola. Achou que Regiane ficaria contente em balançar ali, e descendo as escadas de mármore imaculadamente branco, sentou-a no balanço e começou a empurrar a filha, que ria, seus risos entrecortados pelo ruído das engrenagens mal lubrificadas das correntes do balanço. Ficaram algum tempo entretidos naquele idílio, quando uma voz metálica, vinda da janela, chamou-os:

-Os balanços são apenas para as alunas particulares da escola! 

Régis estremeceu, retirando a filha do balanço. A mulher vestida de preto fez sinal para que se aproximassem, e eles voltaram a entrar na escola. Irmã Malvina tinha lábios finos e olhos azuis que não revelavam emoções. Era difícil dizer exatamente quantos anos ela poderia ter, mas as rugas em volta da boca revelavam que já passava dos cinquenta. Regiane tentou adivinhar a cor de seus cabelos, mas eles estavam totalmente escondidos debaixo do traje de freira. Irmã Malvina olhou-a, e Regiane estremeceu, aconchegando-se ainda mais às pernas do pai. Irmã Malvina dirigiu-se a Régis, cumprimentando-o de maneira fria:

-Em que posso ajudá-los?

Régis pigarreou:

-Meu nome é Régis Costa, e esta é minha filha Regiane Leme. Padre Paulo intercedeu em nosso favor por uma vaga no internato público.

Irmã Malvina respirou fundo, fazendo um sinal com a mão para que ele se calasse:

-Ah, sim, já sei da história. Esta é a menina ilegítima.

Régis não gostou da maneira como a freira referiu-se à sua menina, mas teve que engolir em seco e ser gentil, pois precisava da vaga. Regiane não entendeu o comentário maldoso da mulher, mas sabia que naquele momento, seu destino estava sendo selado, e sentia a ansiedade crescente tomando conta dela, fazendo seu coração bater mais forte e suas mãozinhas suarem de medo e insegurança. Será que seria maltratada novamente naquele lugar, como o homem pendurado na cruz? Em sua inocência, Regiane pensava que ele tinha sido posto naquela situação por Irmã Malvina. O pai acariciou a cabeça da filha, a fim de tranquiliza-la, e Irmã Malvina continuou:

-Em primeiro lugar, não aceitamos crianças ilegítimas nesta escola, filhos do pecado. Se quiser que ela seja aceita, precisará dar a ela seu sobrenome. Em segundo lugar, só aceitamos crianças a partir dos oito anos de idade.

Régis gelou, pois a filha mal acabara de completar seis anos; achou que só tinha uma alternativa: mentir. Mentir, e depois tentar solucionar o problema, pois conhecia alguém que trabalhava no cartório, e poderia ajuda-lo, quem sabe, acrescentando dois anos a mais de vida à filha.

-Minha filha tem oito anos, Irmã.

-Não parece. Ela é franzina. Mal alimentada, quem sabe. Por ter crescido jogada em casas alheias ou de má reputação. Os pais irresponsáveis fazem com que os filhos paguem pela sua insensatez. Estes anjos que deveriam nascer inocentes, sob a proteção divina, já nascem com as almas manchadas pela volúpia dos pais. Lugares como este, que eu administro com mãos de ferro, são uma tentativa de redimir estas almas e coloca-las no caminho de Deus. 

Régis respirou profundamente, e tentou sorrir:

-A senhora tem toda razão. Peço que considere o caso de minha filha com caridade, pois tenho certeza que a senhora é uma pessoa de Deus, justa, bondosa, e poderá ajudar-me a resgatar a alma de minha menina, esta pequena criança que de nada tem culpa. 

A irmã, gostando de ser elogiada, amaciou um pouco a voz, relaxando as feições:

-Traga-a na segunda-feira de manhã, com a certidão de nascimento e os artigos que estão nesta lista (ela tirou do bolso do hábito uma longa folha de papel, e Régis preocupou-se, pois não sabia se poderia comprar todos aqueles itens), mas mesmo assim, assentiu com a cabeça e agradeceu à irmã 
pela atenção e generosidade. 

Ele parou na calçada, e olhou a lista: Um uniforme de gala, dois uniformes para o dia a dia, dois pares de sapatos pretos, alguns pares de meias, sabonetes, roupas íntimas, livros, cadernos, lápis, borrachas, uma caixa de lápis de cor... a lista parecia interminável! Mas a sua maior preocupação seria convencer seu amigo a emitir uma certidão de nascimento dando à sua filha dois anos a mais. Alheia às preocupações do pai, Regiane parecia aliviada por deixar o ambiente opressor da escola para trás. Corria à frente do pai, parando às vezes para esperar por ele, enquanto cantarolava uma cantiga de roda que aprendera de Rosa.
Imediatamente, dirigiu-se ao cartório, e explicou a situação ao amigo, que olhava penalizado para a criança. Sabia de quem ela era filha, pois deitara-se com Vicentina algumas vezes no bordel, e achou que devia à menina aquela chance de ter uma vida digna. Imediatamente, emitiu a certidão de nascimento, e Regiane Leme passou a chamar-se Regiane Costa, e o pai explicou a ela que era seu aniversário e que ela agora contava com oito anos de idade. A menina contou nos dedos:

-Mas papai... olhe... um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete. O que aconteceu com o sete? 

O pai sorriu da esperteza da menina:

-Bem, digamos que você é uma menina tão esperta, que não precisou passar pelo sete. o sete foi... pulado! Não se esqueça: se alguém perguntar a sua idade, diga que tem oito anos, está bem? Isso é muito importante! Lembre-se: oito anos! E seu nome agora é Regiane Costa. Como o papai.
Ela concordou com a cabeça, e o amigo de Régis sorriu, estendendo-lhe a nova certidão:

-Você tem uma bela menina. Cuide bem dela.

Régis agradeceu, pegando o envelope pardo com a certidão de nascimento da filha, e levando Regiane pela mão, sentiu que seus problemas começavam a serem solucionados. A tarde ensolarada convidava a um passeio pela Praça Ruy Barbosa, onde ele passou algum tempo com a filha, empurrando-a nos balanços e gangorras e comprando-lhe presentinhos baratos de vendedores ambulantes. Para ele, era como uma despedida. Sabia que teria que retornar à Niterói na segunda-feira, e que só poderia voltar a ver a filha dali a um mês. 

Conseguiu dinheiro emprestado com as irmãs a fim de comprar o material escolar e os uniformes. Rosa concordou em levar a menina às compras no dia seguinte. Todos pareciam aliviados com a solução, como se estivessem livres de um grande problema, e diziam a si mesmos e uns aos outros que finalmente a menina seria encaminhada a um futuro cristão. Naquela noite, Regiane foi mimada durante o jantar por todos na casa. Deixaram com que ela comesse doces antes do jantar, brincasse com os gatos da tia na cama – o que era proibido – e não a obrigaram a comer as verduras durante o jantar. A menina sentia-se feliz e amada pela primeira vez em anos. 

A segunda-feira chegou como um furacão: Fiorela começara a sentir as dores do parto, sendo levada por João ao hospital. Rosa arrumou as malas de Regiane depressa, e abraçando a menina, desejou-lhe boa sorte:

-Eu sei que prometi acompanhar você até a escola, mas não vai ser possível. A tia Fiorela vai ter o bebê hoje, querida, e quando você voltar, terá mais um priminho ou priminha! Não é bom?

Regiane fez cara de choro:

-Mas quando eu vou voltar? Papai disse que essa escola é diferente, que eu vou ter que morar lá!
Rosa acariciou o rosto da menina:

-Vai ser divertido, Regiane! Haverá outras crianças como você, e o lugar é bonito, grande... Tem até um jardim. E não se esqueça: estaremos todos pensando em você. Se sentir saudades, basta fechar os olhos e pensar em nós, e nós também estaremos pensando em você. Não se esqueça...

A menina deu um longo abraço na tia, e o pai a levou. Rosa ficou olhando eles se afastarem, com lágrimas nos olhos. Sentia-se culpada por não olhar a sobrinha, mas ao mesmo tempo, sabia que Regiane não era sua responsabilidade, e que tinha feito por ela tudo o que podia. Precisava começar em seu novo trabalho na semana seguinte, e não teria tempo de olhar a menina, e a irmã, com os dois pequenos, também não daria conta... Régis não podia leva-la com ele, pois Hanna não a aceitava. A escola interna era a melhor solução.

Prometeu a si mesma visitar a sobrinha frequentemente, mas o trabalho, as tarefas da casa, o novo bebê da irmã, e também a tristeza que ela carregava dentro de si acabavam enchendo todo o seu tempo livre. À janela via Alfredo passando na rua, de braços dados com sua esposa grávida (a casa deles era próxima a dela), e às vezes ele erguia os olhos disfarçadamente por um breve instante, a fim de olhar para ela. Naqueles momentos, Rosa sentia que seu coração derretia-se como chumbo quente, e ela não conseguia deixar de sentir ressentimento por Vicentina, pois mal ou bem, fora ela a culpada de sua desgraça. E Regiane era uma cópia em miniatura da mãe. Tinha os mesmos olhos tristes, os lábios finos, cabelos castanho-alourados. Até a voz prometia tornar-se igual à da mãe. Estar com Regiane era como recordar-se do que acontecera várias vezes ao dia. Amava a sobrinha, mas não poderia ficar perto dela a vida inteira: temia aprender a odiá-la.

Já Fiorela sentia por Regiane um afeto pequeno e limitado, apenas por ser filha de seu irmão e sua parenta de sangue. Não tinha muita paciência com a menina, mal dirigia a palavra a ela e tentava ficar longe da menina a maior parte do tempo possível. Tratava-a com uma bondade fria, impessoal. Não gostava muito que Regiane e sua pequena filha Lea brincassem juntas. Também não se sentia tranquila quando Regiane ficava à janela da casa, olhando o movimento das ruas, pois era naqueles momentos que ela desaparecia de repente e eles a encontravam horas depois nos lugares mais improváveis: sob uma ponte, sentada em bancos de praça, em mesas de restaurantes ou conversando com estranhos nas ruas. Naquelas horas, Fiorela sentia-se muito preocupada, e principalmente, culpada: e se eles nunca mais a encontrassem? E se a menina fosse levada por alguma pessoa perversa? Afinal, era parte da família! Por isso, quando Régis chegou em casa dizendo que conseguira a vaga na escola interna, Fiorela sentiu-se aliviada.

João sentia muita pena da menina, e dava a ela tudo o que comprava para sua própria filha: se presenteasse Lea com um vestido, levava para Regiane um parecido; bonecas ou balas, o que comprasse para a filha, comprava também para Regiane. Quando Regiane foi morar na escola interna, 
Lea tinha apenas dois anos de idade, mas parecia sentir falta da prima. Andava pela casa em seus passos ainda imprecisos, chamando por ela: “Giane! Giane!”

Ainda era bem de manhã quando Régis chegou à escola para deixar a filha; não passava das oito. Estava tão nervoso, que apesar do frio matinal, ele suava sob o chapéu. A menina também parecia calada e ansiosa. Ao chegarem lá, tudo estava muito diferente: ao invés do silêncio da primeira vez, pai e filha encontraram muito movimento: as crianças andavam pelo pátio, sendo encaminhadas aos seus dormitórios pelas freiras. Algumas despediam-se de pais ou mães, ou quem sabe, adultos que eram responsáveis por elas. Algumas meninas menores choravam, enquanto outras rendiam-se ao seu destino. Régis percebeu que havia um grupo de meninas que eram encaminhadas para as alas mais bonitas da escola – eram as alunas particulares. Chegavam em carros, às vezes, com motoristas. Eram bem vestidas e traziam laços nos cabelos. Até mesmo os uniformes eram diferentes, mais elegantes. As crianças órfãs ou cujos pais não pagavam mensalidades seguiam por um portão lateral, onde um prédio antigo, cuja tinta descascava aqui e ali, as esperava, nos fundos da escola. O pátio não era tão bonito, e não havia balanços ou jardins, apenas um chão de terra batida. Régis sentiu-se apreensivo, mas não tinha escolha: Regiane teria que ficar ali.

Começou a despedir-se da menina, ficando ajoelhado a fim de colocar-se à altura dela: 

-Filhinha, papai virá visita-la assim que possível. Você vai ser muito feliz aqui, prometo.

-Mas..  eu não conheço ninguém, pai... estou com medo... por favor, não me deixe aqui sozinha!

Régis secou uma lágrima que escorria do canto do olho:
-Você não estará sozinha! Olhe para todas estas outras crianças: como você, elas também vão morar aqui, e vocês vão poder brincar juntas. Você vai estudar, tornar-se alguém importante, e eu prometo, virei vê-la assim que puder. Seja forte, não chore, Regiane... olhe... comprei isso para você.
Ele tirou do bolso um pirulito todo colorido, redondo e grande, entregando-o à Regiane. Ela o pegou, insegura, ainda chorando:

-Obrigada, papai... mas eu não quero ficar aqui... cadê a mamãe? Por que ela não quer ficar comigo?

Régis baixou os olhos, segurando as mãos da filha:

-A mamãe está sempre com você, Regiane, já conversamos sobre isso... só que ela a olha lá do céu, e apesar de ver tudo o que você faz, não pode conversar com você...

-A Dona Celeste disse que ela foi para o inferno, porque era uma pecadora. O que é uma pecadora?

O pai não respondeu, mas disse:

-Esqueça tudo o que aquela mulher lhe disse. Ela é uma mentirosa, e papai cometeu um grande erro deixando ela tomar conta de você. Sua mãe era uma mulher boa, e muito bonita e jovem... você deve orgulhar-se dela. 

Regiane concordou com a cabeça, enxugando os olhos. Régis sentiu que alguém se aproximava deles, e ergueu-se. Uma mulher jovem, usando hábito, apresentou-se:

-Olá. Sou a irmã Dulce, responsável pelas recém-chegadas. (dirigindo-se a Regiane) Você deve ser a pequena Regiane. Acertei?

Régis cumprimentou-a, com um aceno respeitoso de cabeça, retirando o chapéu. Ela era uma mulher jovem e bonita, de feições suaves, e bem diferente da irmã Mal-humorada – a Madre Superiora – que os recepcionara quando ali estiveram pela primeira vez. O sorriso dela deixou-o mais tranquilo. Irmã Dulce pegou Regiane das mãos do pai, dizendo:

-Já despediu-se de seu pai, Regiane? 

A menina começou a chorar. Irmã Dulce fez-lhe uma carícia tímida, tentando consolá-la:

-Não se preocupe, você vai ficar bem, querida. Aqui as crianças tem tudo o que necessitam e você vai ter uma cama só sua, em um quarto grande com outras meninas... vai ter aulas, aprender sobre muitas coisas... quantos anos você tem?

Mais que depressa, Regiane respondeu:

-Seis! (E olhando para o rosto alarmado do pai:) quero dizer... oito! O sete passou direto, não é papai?

Régis tentou sorrir, e desconversar:

-Ela tem oito anos... recém-completados. É pequena, miúda como a mãe... mas ela tem oito anos.
Irmã Dulce trocou com ele um olhar cúmplice, e um sorriso que o tranquilizou:

-Com certeza, ela tem oito anos. 

Olhando para Regiane, a freira respirou fundo:

-Bem... vamos? 

Regiane aceitou a mão gentil que lhe era estendida, e foi andando com Irmã Dulce, mas sempre olhando para trás, para o pai que apertava o chapéu nas mãos, vendo a filha desaparecer portão adentro, entre as outras crianças.

(CONTINUA...)


3 comentários:

  1. Lendo a sua história, Ana, fico pensando como uma pessoa que não passou por isso, pode imaginar tantos detalhes, que só quem passa sabe...
    Está muito interessante, aguardando pelo próximo capítulo. Tenha uma excelente semana.
    Abraços carinhosos
    Maria Teresa

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  2. Concordo com o comentário acima, são tantos detalhes! Nossa, a pureza de Regiane, este destino, tão triste ainda. Espero que a Irmã Dulce faz jus ao nome e seja mesmo livre de vaidades... Regiane precisa mesmo de um coração que entenda o seu...

    Amando demais Ana, muito intenso... Parabéns!

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  3. errata Ana: ... que a irmã Dulce faça jus ao nome...

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