segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Armadilhas - capítulo I





ARMADILHAS

Capitulo 1 – O Segrêdo 


Eduarda aprontava-se para mais um dia na escola. Manhã de segunda-feira de um dia frio e nublado. Sentada na frente do espelho embaçado da cômoda, ela escovava seus cabelos lentamente, sem vontade de terminar. Uma chuva fina e ininterrupta fustigava a vidraça do quarto. Ela sentia-se cansada e desanimada . Era terrível a ideia de que, em alguns minutos, ela estaria lá fora,exposta àquele clima tenebroso de uma manhã de inverno Petropolitano, a caminho de uma prova de matemática para a qual não tinha estudado.
Lembrava-se dos acontecimentos da noite anterior. Ainda podia ouvir, mais uma vez, a discussão que acontecera no quarto dos pais. O mesmo de sempre, desde que se lembrava de si mesma; os murmúrios iam tornando-se mais altos, até que se transformavam em gritos, acusações, a voz chorosa da mãe que reclamava da indiferença do pai, o tom acusatório do pai que se queixava do desempenho sofrível da mãe como dona de casa, pois o jantar nunca estava na mesa na hora certa, suas camisas nunca estavam passadas, etc.; então a mãe reclamando das noites em que Jorge, o pai, chegava tarde, sem dizer ao certo de onde vinha ou com quem tinha estado, cheirando a uísque e perfume barato, etc... e depois, a porta da sala batendo com força, o silêncio, um choro abafado no quarto dos pais. Pronto; acabara-se a possibilidade de concentrar-se em alguma coisa, muito menos numa prova de matemática que aconteceria na manhã seguinte.

Getúlio, o irmão mais velho, parecia alheio a tudo aquilo, deitado no sofá com seus fones de ouvido e suas músicas barulhentas, marcando o compasso com os pés no encosto do sofá e cantarolando desafinadamente.

Belo final para uma noite de domingo, depois de uma manhã monótona e silenciosa, e de uma tarde chuvosa em frente a TV, assistindo a ridículos programas de auditório e engolindo a horrível comida feita pela mãe. Dora, a mãe, até que se esforçava, mas não era mesmo possível cozinhar alguma coisa decente com um cigarro no canto da boca, depois de beber meia garrafa de uísque barato.

Eduarda tinha lido uma vez, numa publicação espírita, que todos escolhiam o tipo de vida que iriam levar antes de nascer, e que tudo contribuía para o nosso desenvolvimento espiritual. Mas ela se negava a acreditar que tinha escolhido aquilo. Às vezes chegava a duvidar se de fato amava realmente seus pais. Mas ao mesmo tempo sentia-se culpada, a culpa a perseguia sempre que tinha aqueles pensamentos. Pais existem para serem amados, e não é certo sequer imaginar a mais remota possibilidade de que não seja assim.

Invejava secretamente as famílias de suas amigas da escola, ou melhor, colegas de classe, pois não tinha amigas. Era sempre muito calada e reservada, pois imaginava que se tivesse amigas, mais cedo ou mais tarde teria de convidá-las para ir à sua casa, e assim teria que apresentar-lhes sua família, e aquilo estava fora de cogitação.

Olhava a triste figura de Dora, com seu cabelo escorrido já ficando precocemente grisalho, enfiada em seu eterno macacão jeans, que por ser largo, ela dizia, 'ajudava a esconder as ‘gordurinhas'. As unhas sem cuidado, a pele ressecada e sem-brilho, e o olhar cada vez mais triste. Eduarda se perguntava o que levava alguém a decair daquela forma. Pois já tinha visto fotografias do tempo em que sua mãe era mais jovem, e nas fotos, ela parecia outra pessoa, bonita e cheia de vida.

Depois de examinar a figura da mãe, Eduarda olhava para Jorge sentado no sofá e fingindo assistir televisão, segurando a lata de cerveja quente apoiada no joelho. Ainda era um homem bonito, mas também estava precocemente acabado. A barba sempre por fazer dava-lhe uma aparência de desleixo, e as camisas mal-lavadas e mal-passadas por Dora deixavam-no com um ar quase de mendigo.Ás vezes Eduarda ficava com pena do pai e lavava e passava-lhe as camisas, mas Dora a censurava tanto que ela acabava desistindo de fazê-lo.'Isso não é coisa para uma menina de treze anos fazer', ela dizia, ralhando com Eduarda e mandando-a ir para o quarto estudar.

Dora tinha sido de uma família muito rica. Gostava de contar estórias do tempo em que vivia numa casa de onze dormitórios, cercada por um lindo jardim,localizada na Rua Ipiranga, uma das mais caras da cidade. Suspirava de orgulho ao rever as fotografias nas quais aparecia lindamente vestida e penteada, em cenários paradisíacos que conhecera em suas muitas viagens.

Mas, aos dezenove anos de idade, seu pai fugira de casa com uma moça que tinha metade de sua idade; antes, pediu que a esposa assinasse alguns documentos relativos à alguma negociação da imobiliária, ele lhe dissera, mas na verdade, ela estava assinando procurações que ele usou para apoderar-se de tudo que era dela. Sua mãe, desesperada, suicidou-se com uma overdose de barbitúricos. Cinco anos depois a tal moça gastara quase todo o dinheiro de seu pai e depois trocou-o por um outro homem mais jovem .Ele enfartou de desgosto, deixando de herança para Dora uma linda casa hipotecada , um negócio imobiliário falido e muitas dívidas.

Foi nessa ocasião que Jorge apareceu em sua vida, Dora contava, um jovem idealista e bonitão que 'encheu sua cabeça de ilusões com toda aquela conversa mole sobre amor', segundo palavras dela mesma, para depois deixá-la em casa com duas crianças pequenas enquanto saía para se divertir, exatamente como seu pai fizera com sua mãe. 

Getúlio, seu irmão mais velho, parecia viver em outro mundo. Comunicava-se apenas quando necessário, só ia em casa para comer e dormir, o tempo todo com o fone cobrindo-lhe as orelhas, e quando não estava na rua com sua turma esquisita estava trancafiado no quarto, de onde vinham uns cheiros estranhos.Não era popular na escola, tinha notas ruins, era extremamente magro e não cortava o cabelo.As roupas que usava eram sempre grandes demais para ele, acentuando ainda mais sua magreza, e sempre pretas ou cinzentas.
A casa onde a família morava era grande, uma pequena mansão decadente, a única coisa que Dora conseguira poupar dos credores de seu pai, pois a herdara de sua mãe. Embora bem mais modesta do que sua antiga residência, ainda assim poderia ser considerada uma bela casa ( isso, há pelo menos vinte anos atrás). Atualmente, precisava de muitas reformas, mas tinha estilo. Ficava na mesma Rua Ipiranga, e por isso mesmo, servia-lhe como um sinal de que, embora tivesse perdido o trono, ainda fazia parte do reino. Dora já tinha recebido várias ofertas pela casa, mas nunca concordara em vendê-la; era sua última conexão com a nobreza. Este fato era o que mais contribuía para a s discussões de família. Jorge não conseguia compreender porquê eles viviam naquele elefante branco decadente enquanto vender a casa e comprar um pequeno apartamento no centro da cidade lhes daria uma vida mais folgada, com menos despesas , e o que sobrasse ainda daria para guardar para a educação das crianças. Mas Dora era implacável: ninguém 
venderia sua casa.

O jardim era totalmente tomado pelo mato, as árvores ressecadas, o gramado – ou o que um dia fora um gramado- tão alto que chegava acima dos tornozelos. Ás vezes Jorge ia até a garagem, pegava o velho aparador de grama quase cego e tentava melhorar tudo, mas isso era muito raro. Á esquerda da casa ficava a garagem, uma estrutura de madeira cuja tinta branca descascava em grandes pedaços. Lá dentro, além do carro popular da família, dormia uma velha limusine preta, herança de Dora. Estava coberta por uma lona encardida, mas a lataria estava em perfeito estado. Mais uma das excentricidades de Dora, a qual ela venerava. Uma ou duas vezes por ano, ela tirava a lona, lavava a lataria com a mangueira, aspirava o interior do carro. O motor há muito não pegava mais, mas um mecânico lhe dissera que , se o consertasse, poderia ficar perfeito. Mas eles não tinham dinheiro, e mesmo se pudessem consertá-lo, não poderiam circular por aí com uma limusine.

A pintura das paredes descascava dentro de casa, e do lado de fora, tinha desbotado tanto que era difícil perceber que um dia a casa tivera uma cor. No meio do jardim havia uma fonte – quebrada – que fora trazida da França pelo avô de sua mãe. O mármore estava tão sujo que parecia feita de cimento.
A casa tinha vários banheiros, mas o encanamento era velho e vivia entupido, e como não tinham dinheiro para efetuar os consertos, eles apenas fechavam as portas e passavam a usar um outro. Nenhum dos banheiros das suítes funcionava, e agora todos usavam o banheiro do andar térreo, pois era o único cuja descarga funcionava e de cujas torneiras e chuveiro ainda saía um pouco de água. Na cozinha, os azulejos por cima da pia estavam caindo, e a cada dia aparecia, por entre os antigos azulejos portugueses caríssimos pintados a mão, uma nova janela de cimento escura e feia. Os azulejos soltos que não tinham se quebrado eram empilhados num canto sobre a pia, na esperança de que um dia alguém os colocasse no lugar.
Quanto á arrumação da casa, se é que havia uma, constava de alguns móveis de boa qualidade entre muitos outros baratos e sem qualquer estilo. Rolos de poeira pairavam sobre os tapetes desbotados e o assoalho de tábuas corridas mal-varrido. Não podiam pagar uma empregada – o salário de funcionário público de Jorge não o permitia - e Dora jamais aprendera, em sua juventude, como cuidar de uma casa. Além disso, fazia questão de frisar que jamais deixaria sua linda princesinha 
( Eduarda) pegar numa vassoura.

Quando não estava em casa, enfiada em seu macacão jeans, Dora usava um de seus velhos vestidos dos tempos em que era rica. Mas eles já estavam desbotados e fora de moda, sendo que a maioria deles estavam apertados e não lhes caiam bem.

Todos na casa, com exceção de Eduarda, fumavam muito. As cortinas pesadas da sala de estar, de sêda cor-de-rosa desbotada, cheiravam a fumaça de cigarro, e cinzas eram acumuladas no chão junto aos sofás e poltronas. Os cinzeiros sobre a mesinha de centro da sala quase nunca eram limpos, e viviam transbordando de guimbas de cigarro.

Eduarda observava suas colegas de classe, sempre bem arrumadas e penteadas, e comparava-se com elas. No caminho de casa, depois das aulas, passava pelas suas casas limpas e bem-cuidadas, e secretamente invejava os gramados verdes, as paredes pintadas, as cortinas brancas que esvoaçavam com a brisa. Estudava num dos colégios mais caros da cidade apenas porque era bolsista, o que conseguira devido ao seu próprio esforço e empenho. Ela mesma se inscrevera para tentar a bolsa, e quando a conseguiu, seus pais foram a escola e assinaram a autorização, Dora com lágrimas nos olhos, dizendo à diretora o quanto tinha incentivado a filha, enquanto Jorge apenas a observava,
calado. 

Seu irmão, enquanto isso, tinha sido reprovado novamente no colégio estadual. Mas ninguém parecia se importar. Ás vezes Eduarda tinha a impressão de que os pais temiam Getúlio, talvez devido às suas más companhias, ou quem sabe, evitavam vasculhar demais a vida dele porque no fundo, sabiam o que encontrariam, e ou não queriam se dar ao trabalho ou não tinham estrutura emocional para tomar uma atitude. Algumas vezes Eduarda tentara se comunicar com o irmão, mas ele respondia com grunhidos monossilábicos e afastava-se logo, irritado.
Bem, naquela manhã de segunda-feira, enquanto Eduarda penteava seu cabelo em frente á cômoda, Dora entrou no quarto da filha e pôs as mãos em seus ombros, olhando Eduarda pelo espelho:
-Filha, tenho algo muito importante para lhe dizer.
Eduarda tentou desconversar, dizendo que estava atrasada para a escola, mas Dora insistiu:
-Você sabe, a caixa...



Eduarda sabia exatamente do que a mãe estava falando. Tratava-se de uma caixa de madeira forrada de veludo azul, achatada, com um fecho dourado, que sua mãe guardava na prateleira mais alta do seu guarda-roupas. Somente ela, Dora, sabia o que a caixa continha, e não permitia que ninguém mais a tocasse, nem mesmo Jorge, ou melhor, muito menos Jorge. Eduarda percebeu que uma grande revelação estava para ser feita. 
Dora sorriu e continuou, agora sentando-se na beirada da cama da filha e convidando-a para sentar-se em frente a ela.
- Dentro daquela caixa está o seu futuro. Digo seu porque não tenho muita certeza se seria uma boa idéia dizer a Getúlio o que está lá dentro, você sabe.
- Então, mãe, o que tem na caixa?
- É um colar de esmeraldas verdadeiras, e um par de pingentes de diamantes, muito valiosos. São jóias de família, herança de sua avó, e estão na família há muitas gerações.São muito antigas e valiosas.Nunca deixei que ninguém soubesse, com medo de que quisessem vendê-las, ainda mais seu pai, você sabe... ele sempre quis vender a casa, mas é o patrimônio da família, é o que tenho para deixar para meus filhos. Não vou deixar que ele a venda e torre o dinheiro com suas mulheres, como meu pai fez com minha mãe.
Eduarda estava tentando digerir o que a mãe acabara de lhe dizer. Mas não conseguia acreditar. No mínimo, Dora estava exagerando.

-Mãe... você disse que as jóias são valiosas? Como assim?
-Elas valem... alguns milhares de dólares. Foram trazidas da França pela bisavó de minha avó materna, adquiridas durante um leilão. Valem mais que o suficiente para você concluir seus estudos da maneira como desejar, na melhor faculdade do mundo, onde quiser, o curso que quiser, sem precisar se preocupar com dinheiro para despesas, acomodação, etc.
-Mas como você tem certeza de que elas valem tanto?
-Eu mandei avaliá-las há alguns dias. Para dizer a verdade, eu sabia que eram valiosas, mas nem mesmo eu tinha idéia do quanto. Daria para comprar um bom apartamento, financiar seus estudos na Europa, viajar pelo mundo.

Eduarda olhou para fora. A chuva continuava caindo, mas ao invés de uma paisagem triste, teve a impressão de que agora tudo estava mais bonito. Dora parecia perdida em seus pensamentos.
-Lembro-me do dia em que mamãe as deu para mim, pouco antes de minha festa de quinze anos. Queria que eu as usasse, mas na época, achei-as muito pesadas, e usei apenas os brincos. Ah, como foi maravilhosa aquela noite... felizmente, quando papai se foi, minha mãe as tinha escondido em um lugar secreto, ou ele as teria levado, como levou tudo o mais... bem, elas serão suas, agora. Você é a única mulher da família, você sabe.
- Mas.. e Getúlio?
-Getúlio... ele tem o sangue ruim, filha. Há muito tempo eu percebo que anda se drogando. Falei com seu pai, mas ele finge não perceber. Eu, sinceramente, não sei o que fazer. Tentei conversar com ele, mas ele me deixou falando sozinha. 
- Mas você e papai têm que tomar uma atitude mais drástica! Não podem simplesmente desistir de seu filho!
-O que quer que façamos?
- Como assim?! Você é quem deveria saber. Poderiam... interná-lo em algum lugar, poderiam falar com ele, saber até que ponto ele está envolvido com drogas. Mãe, ele foi reprovado de novo!
- Eu sei... na verdade, ele não aparece na escola há algum tempo. Eduarda, você tem o sangue da minha família, é inteligente, esforçada, dedicada, brilhante! 
- E daí?
-Daí que... você sabe, acho que você merece mais que seu irmão. Quero dizer... é claro que esse dinheiro dá para os dois se educarem bem, mas sei que ele não vai usá-lo para isso, vai gastar tudo sabe Deus em quê... então eu quero que você fique com a maior parte.
-O que eu não entendo é que durante esses anos todos nós passamos o diabo nesta casa, comemos mal, nos vestimos mal e o tempo todo você tinha dinheiro suficiente para que tivéssemos uma vida melhor...
Dora levantou-se e foi até a janela.
- Mas eu não podia deixar que seu pai soubesse. Eu não queria que ele fizesse como meu pai. Mas você vai fazer quatorze anos daqui a dois meses, e quero que você saiba que essas jóias existem.Você sabe, a gente nunca pode prever o que vai acontecer.

Eduarda notou um tom estranho na voz da Dora. Na verdade, nunca houvera nenhuma prova de que seu pai tivesse outras mulheres, e ela mesmo achava que tudo não passava de paranóia de sua mãe. Apesar de ser um homem bonito, que mulher estaria interessada em se envolver com um homem complicado como Jorge, sempre mal-vestido, com um empreguinho insignificante na repartição pública e ainda por cima, casado com uma alcoólatra e pai de dois filhos?

Lembrou-se do dia em que sua tia Annette veio visitá-los. Dora inundou os ouvidos da cunhada com estórias sobre suas suspeitas a respeito de Jorge. Annette disse-lhe que Dora estava precisando de um médico, pois seu irmão era um marido fiel e dedicado, mas que ela, Dora, precisava urgentemente de um tratamento, pois não estava muito bem da cabeça. Parecia obcecada pelo passado.
Dora colocou-a para fora de sua casa.
Bem, naquela manhã de segunda feira, uma Eduarda feliz e satisfeita foi para a escola e fez um teste de matemática para o qual não tinha estudado. Tirou 9.5.


(Continua...)

2 comentários:

  1. Boa tarde Ana.. muito me impressiona a facilidade com que descreve todas as cenas.. o frio de inverno realmente dá umapreguicite digo pq sou da serra gaucha.. ficamos sem muitas opções e tudo nos remete ao dentro do lar.. infelizmente sempre existem essas indiferenças nos casais.. nunca estão de acordo e ali começam traições e outros problemas que rompem não só a vida deles como dos filhos.. o que escreveu sobre a Eduarda ter lido que nós escolhemos a vida que teremos.. já li tb e não discordo.. escolhemos nosso nome.. familia lugar.. tudo para nos resolvermos e resolvermos aos entes que já passaram.. a vida é uma grande escola.. bjs e até sempre

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  2. Simone Felic
    16:11
    1

    Não consigo postar coment , no seu blog
    bela história cheia de drama e detalhes.
    bjs
    http://eueminhasplantinhas.blogspot.com.br/

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