segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

ARMADILHAS - CAPÍTULO V








Capítulo 5 – Transição


Annette e Fernando estavam sentados na cama, de mãos dadas. Tinham acabado de fazer amor. Nenhuma paixão arrebatadora, afinal, após quase vinte anos de casamento, tais coisas não existiam. Mas havia ainda uma leve chama azulada, que se tornava um pouco mais aquecida naqueles momentos. Existia amor. Existia entre eles uma cumplicidade muito forte, difícil de se encontrar entre casais modernos. Coisas como casos extraconjugais nunca acontecera entre eles. Provavelmente, nunca aconteceria, pois ambos estavam confortáveis demais dentro da relação, e ninguém se atreveria a fazer nada que pudesse abalar a zona de conforto. Todos comentavam o quanto eles se completavam. E era verdade. Não que eles fossem muito parecidos, aliás, eram as diferenças entre eles que faziam com que eles se completassem, suprindo um no outro aquilo que lhes faltava. A única coisa que nenhum dos dois tinha a oferecer era paixão. Mas também, eles não a queriam. Preferiam a longevidade.
Algumas vezes, quando se relacionavam, Annette até tinha um orgasmo. Casamento perfeito.

Agora, Fernando sabia exatamente no que ela estava pensando – não pensava em outra coisa nos três últimos dias, desde que Eduarda se fora. 
-         Não se preocupe, Annette. Se ela não ligar amanhã, nós vamos procurá-la. Mas tenho certeza de que ela está bem. Para dizer, a verdade, talvez esteja melhor do que quando a família estava viva.
-         Que coisa horrível de se dizer, Fernando...
-         Mas você sabe que eu estou certo.
-         Eu sei. 
Ela suspirou profundamente.
-         Mais cedo ou mais tarde, vamos ter que contar a ela. 
-         Melhor esperar mais um pouco. Deixe que ela se recomponha, se reencontre...
-         ... para depois a gente virar tudo de cabeça para baixo de novo.
-         Não foi isso que eu quis dizer. Ela acaba de sair de um colapso emocional, esteve internada numa casa de repouso, e ainda tem o histórico familiar, Dora, a avó... melhor que administremos tudo em doses bem homeopáticas.
-         Mas você acha que ela... quero dizer, você realmente acha...?
Ele brincava displicentemente com os dedos dela entre os seus.
-         Fomos os únicos para quem ela contou tudo, antes de ter o colapso. Se ela tivesse contado para mais alguém, algum médico ou até mesmo a polícia, nós teríamos ficado sabendo.
Annette levantou-se da cama. Foi até a janela, e olhou a rua, o asfalto que brilhava devido à chuva que acabara de cair.
-         Não quero que nada aconteça a ela. Ás vezes acho que seria melhor se esquecesemos esta estória toda. Talvez ela nunca se lembre.
-         Ou talvez ela se lembre de tudo de repente e então poderá nos odiar por não termos contado nada. 
Annette lembrou-se de quando Eduarda, desesperada, falava coisas desconexas. Os vizinhos tinham telefonado para ela há alguns minutos, após os gritos. Ainda bem que ela deixara com eles seu número de telefone, caso algo acontecesse. Eles sempre a chamavam, quando Dora bebia demais e começava a fazer escândalos na frente das crianças.

Assim, eles foram os primeiros a chegar. Quando os viu, Eduarda se abraçou a eles, e somente após alguns minutos eles compreenderam o que ela estava dizendo, as palavras quase sussurradas que ela repetia. Então, quase que em transe, eles foram aos quartos e encontraram os corpos. Annete sentiu novamente aquele sentimento de pavor, como se tudo tivesse acabado de acontecer.
Fernando, vindo em sua direção com a carta. A carta de suicídio de Dora.
Mal tinha terminado de lê-la, Eduarda arrancou-a de sua mão e , sacudindo-a diante do rosto de Annette, ela contou-lhes.
Fernando correu até ela, mandando-lhe que se calasse: “ Não repita, não repita isso para ninguém, nunca mais, entendeu, Eduarda? Nunca mais!” Logo depois, ela desmaiou. Quando acordou, não tocou mais naquele assunto e parecia que não se lembrava de nada do que havia dito. E eles acharam melhor não tocar no assunto.
-         Venha, querida. É tarde. Vamos dormir.

Na casa de Eduarda, que está silenciosa, ouve-se apenas o tique-taque do velho relógio de parede. A casa encontra-se na semi-escuridão. Há três dias que ela chama por Marcus, mas ele não apareceu. Teria sido fruto de sua imaginação? Estaria ficando louca? 
Ela saía todas as manhãs. Ia caminhar pela rua. Ia até a mercearia, ou à praça. Às vezes, sentava-se no banco, aquele banco onde se sentara na noite de Natal, esperando que Marcus aparecesse, mas ele não vinha.
Alguns vizinhos paravam para conversar com ela, perguntando como estava. Ela dizia estar bem. Não via como eles sacudiam tristemente a cabeça quando ela se afastava, sentindo pena dela. E é claro, eles diziam que se ela precisasse de alguma coisa, qualquer coisa... ela agradecia polidamente. Um dia, alguém perguntou-lhe sobre o que faria com a casa, se pretendia vendê-la. Caso pretendesse, havia um senhor que estava interessado, e... mas ela não tinha a menor idéia do que faria. 
O dinheiro estava acabando. Pediria ajuda dos tios para vender as jóias. Já tinha contado a eles que elas existiam, mas não tinha dito o quanto elas valiam.
Eduarda pensava em tudo isso, lembrando-se dos acontecimentos corriqueiros do dia a dia , deitada em sua cama. 




Nem percebeu que tinha adormecido e começava a sonhar. 
Era o último dia. Lembrou-se de que tinha sido até feliz. Olhava para seus pais, na mesa do almoço de domingo, e o quanto sua mãe parecia feliz naquele dia. Após o almoço, Dora subiu para o quarto, dizendo que iria descansar um pouco, e seu pai ajudou-a a tirar a mesa. Enquanto ela lavava a louça, ele saiu para o jardim.
Ela via tudo como se estivesse sentada em algum lugar mais alto. Via a si mesma, a casa, o bairro, tudo de um plano de visão superior. Viu quando terminou de enxugar as mãos no pano de prato puído. Viu quando percebeu que Dora havia esquecido suas sandálias de salto de madeira no chão da sala de estar, junto ao sofá. Decidiu levá-las para cima. 
De repente, durante o sonho, percebeu uma presença a seu lado; era Marcus. Ele nada disse, apenas segurou sua mão , fazendo um leve sinal com a cabeça na direção das cenas que se desenrolavam abaixo deles, querendo que ela prestasse atenção a elas. 
Viu-se parada de pé, diante da porta do quarto da mãe, que estava sentada na cama de costas para ela. Dora escrevia. Alguma coisa fez com que Eduarda estancasse na porta do quarto e ficasse em silêncio. Percebeu uma certa solenidade naquele momento, pois não se lembrava jamais de ter visto a mãe escrever alguma coisa. Nem mesmo listas de compras.
Viu a nuca branca, com algumas sardas, sob os cachos desarrumados de Dora. O debrum laranja-desbotado da blusa, em volta da nuca. Reparou no caderno aberto sobre os joelhos de Dora. Pela janela, uma luz difusa entrava, filtrando-se através da cortina bege de renda empoeirada .
Viu quando a mãe acabou de escrever, arrancando a folha do caderno e dobrando-a cuidadosamente, e viu quando ela a colocou dentro de um envelope branco, sobre a mesa de cabeceira, preso sob o abajur.
Então, Dora virou a cabeça na direção dela. Sorriu. Eduarda nunca tinha visto uma expressão tão serena em seu rosto. Percebeu que sua mãe estava quase bonita novamente. Eduarda saiu e fechou a porta do quarto deles atrás de si. Ao passar pelo quarto de Getúlio, olhou através da greta entreaberta e viu que ele dormia de bruços, pesadamente.   Mas voltou ao quarto dos pais, pois sentiu que aquele envelope branco chamava por ela.                
     Vagarosamente, Eduarda abriu a porta e caminhou em silêncio até a mesinha de cabeceira.                       Pegou o envelope e abriu-o.
Fim do sonho.

Na manhã seguinte, ela decidiu fazer uma visita aos tios. Ambos ficaram muito felizes ao vê-la chegar, e Annette abraçou-a calorosamente. Insistiram para que ela ficasse para o almoço, e ela acabou aceitando.Eduarda percebeu que Fernando e Annette estavam agindo de uma forma estranha, trocando olhares cúmplices , e a voz da tia saia quase forçadamente tranquila. Os dois se entreolhavam a cada pergunta corriqueira que Eduarda lhes respondia, como por exemplo, se ela tinha dormido bem, se ela se sentia bem, etc. Ela pensava se deveria contar a ele sobre Marcus. Mas acabou concluindo que , se ela lhes contasse que um estranho tinha entrado na casa, seus tios morreriam de preocupação, Annette provavelmente faria um escândalo e ambos insistiriam para que ela voltasse a viver com eles. Além do mais, como explicaria de onde Marcus tinha vindo, se nem mesmo ela o sabia? Seria mesmo um anjo, fruto de sua imaginação, um louco maníaco que a seguira ou lera sobre ela nos jornais? Ela mesma tinha um pouco de medo, agora que pensava mais racionalmente.

Acabou achando aquela estória toda muito ridícula. 

Conversou com os tios a respeito de dinheiro, e prontamente eles se ofereceram para ajudá-la no que fosse preciso. Fernando lhe disse que venderia as jóias para ela, mandando antes fazer uma reavaliação com uma pessoa de sua confiança. Displicentemente, Eduarda puxou de dentro de sua sacola de pano surrada a caixa com as jóias, colocando-a sobre a mesa. Annette arregalou os olhos e comentou como Eduarda tinha sido imprudente transportando as jóias até lá à pé, sem nenhuma segurança, dentro de uma simples sacola de pano. Fernando riu, tranquilizando-a, afinal, nada tinha acontecido. Quem suspeitaria que uma menina como ela, vestida de jeans e sandálias de couro gastas , carregando uma bolsa de pano velha e desbotada, estivesse de posse de jóias tão valiosas? Eduarda concordou com ele. Num gesto corriqueiro, como se estivesse despejando feijões de um saco, ela despejou o conteúdo da caixa sobre a mesa. 
Imediatamente, viu a surpresa no rosto dos tios. Fernando estava pálido, boquiaberto, e Annette levara ambas as mãos ao queixo, deixando escapar um “oh” de susto.

Passaram mais de meia hora olhando e revirando as jóias, colocando-as sob a luz de um pequeno abajur que Annette trouxera da sala e colocara sobre a mesa da cozinha. Seriam verdadeiras? Será que teriam valorizado mais, desde a última avaliação? O que Eduarda faria com o dinheiro, etc.

Após o almoço, ao despedir-se de seus tios, Annette perguntou-lhe se havia algo sobre o que ela quisesse conversar. Eduarda franziu as sobrancelhas.
-         Como assim? Vocês estão me escondendo alguma coisa?
Annette sorriu.
-         Não minha querida. É que é tudo ainda muito recente, e fiquei pensando se talvez você não tivesse se lembrado de alguma coisa importante...
-         Como assim, lembrado de alguma coisa?
Fernando interveio:
-         Nada, Eduarda. Não preste muita atenção em Annette. Ela é quem anda estranha e esquecida 
ultimamente. 

Como num lampejo, o sonho da última noite , a imagem de Dora virando-se para ela e sorrindo após colocar o envelope sob o abajur, veio-lhe à cabeça. Mas foi só por um instante.

Ao chegar em casa, começou a encher a banheira, despejando dentro dela um pouco dos sais que Annette tinha lhe dado de presente de Natal. Minutos depois, estava mergulhada na banheira de água bem quente e perfumada. O vapor a entorpecia um pouco, e deixava o banheiro um tanto embaçado, como se estivesse cheio de neblina. Eduarda fechou os olhos e deixou-se relaxar completamente. Logo sentiu que mãos suaves massageavam seus ombros nus. De olhos ainda fechados, ela segurou aquelas mãos macias e colocou-as sobre seu pescoço, forçando-as a descer até seu peito e deslizar sobre sua barriga. Mas de repente, o dono daquelas mãos puxou-as para fora da banheira, delicadamente, mas com determinação. Ela abriu os olhos.
Marcus olhava para ela docemente. Ela ia perguntar-lhe por onde ele andara, por que tinha sumido, mas ele levou a mão até seus lábios, pedindo-lhe silêncio. Ao mesmo tempo, ele passou as mãos úmidas sobre seus olhos, obrigando-a a fechá-los novamente.

E como num passe de mágica, ela viu-se novamente transportada para o quarto de sua mãe, naquele dia fatídico. Viu alguém que parecia ser ela mesma – mas ao mesmo tempo, outra pessoa- dirigir-se para perto da cabeceira da cama, que naquele momento encontrava-se vazia, e pegar o envelope sob o abajur. Viu também quando ela – ou a outra pessoa- abriu o envelope e leu seu conteúdo. Percebeu seu próprio rosto corar e sua mão cobrir a boca, num gesto de puro espanto. Ouviu quando , segundos depois, a voz de Dora chamava-a da cozinha, dizendo que o almoço estava pronto. Então, ela – ou a outra pessoa- com as mãos trêmulas, devolveu o envelope e seu conteúdo para o lugar de onde os tinha tirado, sob o abajur.

Quando abriu novamente os olhos, Eduarda estava de volta à banheira. Nem sinal de Marcus.
Mais alguns dias se passaram e Fernando foi visitá-la. Tinha depositado o dinheiro da venda das jóias em uma conta bancária para ela. Perguntou-lhe em tom de brincadeira o que ela pretendia fazer , agora que era praticamente uma milionária, mas Eduarda apenas sentiu um grande vazio se abrir diante dela, como acontecia todas as vezes que ela pensava sobre o futuro. Ou até mesmo sobre o passado, pois notava que as coisas que tinham lhe acontecido ficavam cada vez mais distantes, como se fossem memórias que pertenciam a uma outra pessoa que não era mais ela, que nunca poderia ter sido ela. Disse aquilo a Fernando. Ele a abraçou por um instante.
-         Às vezes é melhor assim. Deixar para trás o que passou, principalmente quando se trata de algo tão desagradável quanto o que lhe aconteceu. Tenho certeza que dentro de mais alguns dias, você estará mais serena, com mais certeza sobre seu futuro. Quando isso acontecer, não se esqueça de contar para nós.
-         Eu não vou esquecer.
-         Annette mandou-me dizer a você que...
Ele pareceu hesitar. Eduarda encorajou-o:
-         ...que?...
-         Bobagem. Sabe como ela é... quer que você more conosco. Mas eu entendo você, deseja ter sua própria vida. E está absolutamente certa.
-         Obrigada, tio. Mesmo morando sozinha, eu sei que posso contar sempre com vocês.
-         Quanto à casa... já decidiu se vai mantê-la? Se me permite opinar, acho que não lhe faz bem ficar neste casarão sozinha. Além de perigoso, não faz sentido morar neste mausoléu enorme, quando seria muito mais prático comprar um apartamento na cidade para você, ou até mesmo uma casa menor e mais moderna.
-         Ainda não decidi. Acho que você está certo, mas ao mesmo tempo, sinto que meu tempo aqui ainda não terminou.
-         Como assim?
Ela respirou fundo.
-         Nem eu sei, tio. Mas ás vezes sinto como se esta casa quisesse me dizer alguma coisa que eu ainda não consegui entender.
Ela percebeu um certo pânico nos olhos dele.
-         Querida, decididamente, não acho que seja bom para você ficar aqui...

Ela o interrompeu:
-         Você tem medo que eu enlouqueça, como ela, não é?
-         Bem, é que... logo depois que sua avó morreu, após o suicídio, Dora , ainda uma menina como você, veio morar nesta casa sozinha. Todo diziam a ela que não deveria, mas ela nunca ouvia ninguém. Foi se tornando cada vez mais amarga. Até que conheceu seu pai, e todos acharam que finalmente ela ia mudar. Realmente, estava melhor, mais feliz. Mais leve. Mas não sei se talvez devido ao tempo em que passou nesta casa sozinha... pensando... 
-         Não se preocupe. Eu sou muito diferente de minha mãe. Eu entendo, você acha que porque minha avó se matou, minha mãe se matou, eu vou acabar me matando.
Ele ergueu as mãos, em desespero:
-         Nem diga uma coisa dessas, Eduarda. Pelo amor de Deus... sabe, nas noites em que Jorge me telefonava, desesperado, após as brigas com Dora, ele me contava muitas estórias. Ele estava muito, muito perturbado. Mas não conseguia deixá-la. Amava Dora loucamente, e por isso muitas vezes eu disse a ele que ele era ainda mais insano que ela.
-         Mas por que você está me contando essas coisas?
-         Porque ele dizia que Dora era... emocionalmente inacessível. E eu não vejo você sair com pessoas de sua idade, não vejo você com um namorado... sinceramente, tenho medo que se torne como ela. Embora eu saiba que , agora, você é totalmente diferente, claro.
Eduarda pareceu refletir sobre o que Fernando dissera. Sim, Dora era emocionalmente inacessível. Mas sabia, com certeza, que quando se tratava dela, a mãe era amorosa e preocupada, isso é, quando não bebia demais. E a certeza daquele amor, mesmo misturado à vergonha e à frustração, é que lhe dava forças para viver. 
-         Ela me amava. Eu sei disso.
-         Eu sei, é claro... é claro que sim. 
-         Eu nunca tive amigos porque... tio, eu tinha vergonha de trazer meus amigos aqui, tinha vergonha que vissem como nós vivíamos.

Ela começou a chorar. Fernando abraçou-a.
-         Agora vai ficar tudo bem, querida. Você não precisa mais ter medo, ou vergonha de quem você é. Agora, você pode apagar tudo o que passou e recomeçar uma nova vida. Faça isso. Faça isso.
Naquele momento, Fernando teve certeza de que jamais contaria a verdade a ela.
Mas às vezes, a própria verdade se revela, sem que a busquemos. Mesmo sendo indesejável e desnecessária, ela se insinua porta adentro em nossas vidas e sacode as mãos na nossa frente, bafeja em nosso rosto até que a encaremos para, finalmente, decidirmos o que fazer dela. A verdade, definitivamente, não aceita ser deixada no escuro, do lado de fora.


(continua...)



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